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terça-feira, junho 9, 2026

Vacina brasileira contra dengue tem aplicação interrompida após investigação de casos graves

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O Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o país. A decisão foi anunciada após o registro de dezenas de eventos adversos graves em pessoas imunizadas, incluindo dois óbitos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.

A medida, que entra em vigor imediatamente, foi adotada como precaução enquanto especialistas analisam se existe alguma relação entre os casos registrados e a vacinação. Segundo o governo federal, até o momento não há evidências conclusivas de que o imunizante tenha causado as mortes.

Desde o início da campanha, cerca de 500 mil doses da vacina foram aplicadas. Nesse período, foram notificados 42 episódios classificados como reações adversas severas. A maioria dos casos segue em avaliação por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.

O imunizante representa um marco para a ciência brasileira por ser a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no país e também a primeira do mundo desenvolvida com esquema de dose única. A estratégia de vacinação começou neste ano e tinha como público prioritário os profissionais da área da saúde.

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Entre os episódios que motivaram a suspensão estão três casos considerados mais preocupantes. Um deles envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas compatíveis com dengue grave poucos dias após a vacinação, necessitando de internação em unidade de terapia intensiva. Ela se recuperou e recebeu alta médica.

Os outros dois casos terminaram em morte. Uma mulher de 48 anos desenvolveu um quadro grave associado a complicações neurológicas, enquanto um homem de 58 anos apresentou rápida evolução para choque relacionado à dengue grave. Ambos os episódios continuam sendo analisados para determinar se existe relação direta com a imunização ou se outros fatores podem ter contribuído para os desfechos.

As investigações incluem avaliação de exames laboratoriais, histórico clínico dos pacientes, condições de saúde preexistentes e demais informações médicas consideradas relevantes para esclarecer os acontecimentos.

Diante do cenário, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nas últimas três semanas procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre persistente, dores abdominais intensas, vômitos frequentes, tonturas, sangramentos, sonolência excessiva ou sinais de desidratação.

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A campanha vinha sendo realizada em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Com a suspensão, novas aplicações ficarão interrompidas até a conclusão da análise de segurança conduzida pelas autoridades sanitárias.

Apesar da medida preventiva, o governo destaca que os estudos realizados até o momento continuam apontando eficácia da vacina contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue. Segundo o Ministério da Saúde, a interrupção temporária não representa uma conclusão sobre a segurança do imunizante, mas uma etapa necessária para aprofundar a investigação dos eventos registrados antes de uma eventual retomada da vacinação.

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