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terça-feira, julho 21, 2026

Saúde mental entra no radar das empresas com nova NR-1 e impulsiona busca por ferramentas de prevenção

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A saúde mental dos trabalhadores passou a ocupar um novo espaço dentro das empresas brasileiras. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor neste mês, organizações de diferentes portes passam a ser obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais relacionados ao ambiente de trabalho, como sobrecarga de tarefas, pressão excessiva por metas, assédio e conflitos organizacionais.

A mudança ocorre em um cenário de agravamento dos indicadores de saúde mental no país. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram registrados 546.254 afastamentos por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Com a nova regulamentação, fatores antes tratados principalmente pelas áreas de recursos humanos passam a integrar oficialmente os programas de saúde e segurança do trabalho.

Na prática, as empresas deverão incluir esses riscos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório que reúne informações sobre os perigos existentes no ambiente laboral e as medidas adotadas para preveni-los. O descumprimento das exigências pode resultar em multas e outras sanções administrativas.

A nova regra também tem movimentado o mercado de saúde e segurança ocupacional, impulsionando a criação de ferramentas voltadas ao monitoramento da saúde mental dos trabalhadores. Empresas de tecnologia especializadas em gestão ocupacional têm ampliado seus investimentos em soluções capazes de auxiliar organizações no cumprimento das novas exigências.

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Entre elas está a Indexmed, healthtech especializada em gestão digital de saúde e segurança do trabalho, que lançou recentemente um módulo voltado ao mapeamento e acompanhamento de riscos psicossociais dentro das organizações.

Segundo o CEO e fundador da empresa, Renan Soloaga, a principal dificuldade das empresas está em transformar uma exigência regulatória em um processo estruturado de gestão.

“Com a atualização da NR-1, as empresas passam a ter responsabilidade direta sobre fatores que antes eram pouco estruturados dentro da gestão de SST. Muitas organizações, principalmente pequenas e médias, não contam com equipes internas especializadas ou recursos para estruturar esse processo. Nosso objetivo com o programa é tornar essa avaliação acessível, permitindo que empresas consigam identificar riscos psicossociais de forma prática, estruturada e com base em dados”, afirma.

A ferramenta utiliza questionários psicossociais validados internacionalmente, como o Copenhagen Psychosocial Questionnaire II (COPSOQ II), aplicado de forma digital e anônima aos colaboradores. A partir das respostas, o sistema avalia indicadores relacionados às demandas de trabalho, autonomia, suporte organizacional e autoestima profissional, gerando relatórios que podem ser incorporados ao inventário de riscos do PGR.

Os resultados são apresentados por meio de gráficos que classificam os níveis de risco e ajudam a identificar áreas ou setores mais vulneráveis dentro da organização. Além disso, os dados podem ser exportados para relatórios compatíveis com o eSocial, plataforma utilizada pelas empresas para envio de informações trabalhistas, previdenciárias e de segurança ocupacional ao Governo Federal.

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Para Leandro Santos, CSO da Indexmed, a exigência regulatória tende a ampliar a necessidade de ferramentas capazes de traduzir indicadores subjetivos em informações mensuráveis.

“Muitas companhias sabem que precisam tratar a saúde mental no ambiente de trabalho, mas não têm estrutura técnica para medir esses riscos. A plataforma organiza esse processo em etapas simples, o que facilita o cumprimento da norma e ajuda gestores de RH, SESMT e Departamento Pessoal a entender onde estão os principais pontos de atenção dentro da organização”, explica.

Especialistas avaliam que a atualização da NR-1 representa uma mudança significativa na forma como as empresas lidam com saúde ocupacional. Se antes os riscos físicos, químicos e ergonômicos eram o foco principal das políticas de prevenção, agora fatores ligados ao bem-estar emocional e psicológico dos trabalhadores passam a integrar oficialmente a gestão corporativa.

Mais do que atender a uma obrigação legal, a expectativa é que as novas exigências incentivem organizações a adotar uma postura mais preventiva diante de um problema que vem impactando diretamente a produtividade, os custos trabalhistas e a qualidade de vida dos profissionais brasileiros.

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