O Papa Leão XIV fez um pedido inédito de perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na legitimação da escravidão ao longo dos séculos. A declaração foi feita em sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas.
No documento, o pontífice reconhece que antigos papas autorizaram formalmente a subjugação e a escravização de povos não cristãos durante a expansão colonial europeia, classificando esse passado como uma “ferida na memória cristã”.
Reconhecimento inédito do Vaticano
Embora outros líderes da Igreja já tenham lamentado a participação de cristãos no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, esta é a primeira vez que um papa reconhece publicamente a responsabilidade direta da Santa Sé na legitimação formal da escravidão.
Na encíclica, o pontífice escreveu:
“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos.”
E acrescentou:
“Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”
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Bulas papais legitimaram escravidão
O texto relembra documentos históricos emitidos pela Igreja durante o século 15.
Entre eles está a bula Dum Diversas, publicada pelo papa Nicolau V em 1452, autorizando o rei de Portugal a conquistar e subjugar povos considerados “infiéis”, incluindo a possibilidade de escravidão perpétua.
Três anos depois, a bula Romanus Pontifex reforçou essas permissões e ajudou a consolidar a chamada Doutrina da Descoberta, usada historicamente para justificar ocupações coloniais na África e nas Américas.
Relação com desafios atuais
O Papa Leão XIV relacionou o passado escravista a formas contemporâneas de exploração humana ligadas à tecnologia e à inteligência artificial.
Segundo ele, práticas modernas envolvendo trabalho precário e exploração na extração de minerais raros usados em tecnologias digitais exigem atenção ética da Igreja e da sociedade.
O pontífice afirmou que a Igreja precisa condenar firmemente novas formas de exploração para evitar que futuras gerações tenham novamente de pedir perdão pelos erros do presente.
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Pedido atende reivindicações históricas
O pronunciamento atende a reivindicações antigas de católicos negros, ativistas e estudiosos que cobravam do Vaticano um reconhecimento mais direto sobre seu papel histórico no comércio colonial de pessoas escravizadas.
Antes dele, o Papa João Paulo II já havia pedido perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados durante visitas ao continente africano, mas sem mencionar diretamente a atuação dos papas na legitimação da prática.
Segundo pesquisas genealógicas citadas na reportagem, o próprio Papa Leão XIV possui ancestrais negros nos Estados Unidos, incluindo pessoas escravizadas e proprietários de escravos em sua árvore familiar.
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