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sexta-feira, agosto 7, 2026

Papa Leão XIV pede perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na escravidão

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O Papa Leão XIV fez um pedido inédito de perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na legitimação da escravidão ao longo dos séculos. A declaração foi feita em sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas.

No documento, o pontífice reconhece que antigos papas autorizaram formalmente a subjugação e a escravização de povos não cristãos durante a expansão colonial europeia, classificando esse passado como uma “ferida na memória cristã”.

Reconhecimento inédito do Vaticano

Embora outros líderes da Igreja já tenham lamentado a participação de cristãos no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, esta é a primeira vez que um papa reconhece publicamente a responsabilidade direta da Santa Sé na legitimação formal da escravidão.

Na encíclica, o pontífice escreveu:

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos.”

E acrescentou:

“Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

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Bulas papais legitimaram escravidão

O texto relembra documentos históricos emitidos pela Igreja durante o século 15.

Entre eles está a bula Dum Diversas, publicada pelo papa Nicolau V em 1452, autorizando o rei de Portugal a conquistar e subjugar povos considerados “infiéis”, incluindo a possibilidade de escravidão perpétua.

Três anos depois, a bula Romanus Pontifex reforçou essas permissões e ajudou a consolidar a chamada Doutrina da Descoberta, usada historicamente para justificar ocupações coloniais na África e nas Américas.

Relação com desafios atuais

O Papa Leão XIV relacionou o passado escravista a formas contemporâneas de exploração humana ligadas à tecnologia e à inteligência artificial.

Segundo ele, práticas modernas envolvendo trabalho precário e exploração na extração de minerais raros usados em tecnologias digitais exigem atenção ética da Igreja e da sociedade.

O pontífice afirmou que a Igreja precisa condenar firmemente novas formas de exploração para evitar que futuras gerações tenham novamente de pedir perdão pelos erros do presente.

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Pedido atende reivindicações históricas

O pronunciamento atende a reivindicações antigas de católicos negros, ativistas e estudiosos que cobravam do Vaticano um reconhecimento mais direto sobre seu papel histórico no comércio colonial de pessoas escravizadas.

Antes dele, o Papa João Paulo II já havia pedido perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados durante visitas ao continente africano, mas sem mencionar diretamente a atuação dos papas na legitimação da prática.

Segundo pesquisas genealógicas citadas na reportagem, o próprio Papa Leão XIV possui ancestrais negros nos Estados Unidos, incluindo pessoas escravizadas e proprietários de escravos em sua árvore familiar.

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