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sexta-feira, julho 17, 2026

Cientistas usam cérebros humanos preservados após a morte para testar medicamentos

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Pesquisadores e empresas de biotecnologia estão desenvolvendo técnicas capazes de manter cérebros humanos metabolicamente ativos por algumas horas após a morte, permitindo a realização de testes experimentais de medicamentos para doenças neurológicas.

A tecnologia vem sendo aplicada pela startup norte-americana Bexorg, responsável pela plataforma BrainEx.

O sistema utiliza máquinas que bombeiam uma solução rica em oxigênio e nutrientes pelos vasos sanguíneos do cérebro logo após a morte do doador. O objetivo é preservar parte da atividade celular e metabólica do órgão por até 24 horas.

Como funciona o sistema

Segundo os pesquisadores, os cérebros utilizados pertencem a doadores recentemente falecidos e não apresentam consciência ou atividade elétrica comparável à de um cérebro vivo.

Para evitar qualquer possibilidade de atividade neural complexa, os órgãos permanecem sob efeito de anestésicos e substâncias que bloqueiam sinais elétricos relacionados à consciência.

Durante o processo, sensores acompanham:

  • metabolismo celular;
  • circulação química;
  • proteínas cerebrais;
  • respostas a medicamentos experimentais.

Após os testes, os tecidos são fragmentados para análises laboratoriais detalhadas.

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Objetivo é melhorar estudos sobre doenças neurológicas

Os cientistas afirmam que a principal motivação do projeto é superar limitações dos modelos animais utilizados atualmente em pesquisas médicas.

Doenças como:

  • Doença de Alzheimer;
  • Doença de Parkinson;
  • Esclerose Lateral Amiotrófica

costumam se comportar de forma diferente em humanos e em animais de laboratório, o que leva muitos medicamentos promissores a fracassarem nos testes clínicos.

Segundo a empresa, mais de 700 cérebros já foram analisados utilizando o sistema BrainEx.

Pesquisas começaram com cérebros de porcos

A tecnologia deriva de estudos conduzidos em 2019 por neurocientistas da Universidade Yale, que conseguiram restaurar parcialmente funções celulares em cérebros de porcos horas após a morte.

Os pesquisadores demonstraram que algumas células cerebrais permanecem biologicamente viáveis por mais tempo do que se imaginava anteriormente.

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Debate ético cresce

O avanço dessas técnicas reacendeu discussões entre especialistas em bioética sobre os limites entre atividade biológica e consciência.

Embora os cientistas insistam que os cérebros preservados não possuem percepção, memória ou sofrimento, pesquisadores defendem que regulamentações mais rígidas poderão ser necessárias à medida que os experimentos avancem.

Além dos cérebros preservados temporariamente, outras pesquisas também utilizam Organoides cerebrais — pequenos agrupamentos de neurônios produzidos a partir de células-tronco humanas para estudar doenças neurológicas e respostas a medicamentos.

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