Pesquisadores e empresas de biotecnologia estão desenvolvendo técnicas capazes de manter cérebros humanos metabolicamente ativos por algumas horas após a morte, permitindo a realização de testes experimentais de medicamentos para doenças neurológicas.
A tecnologia vem sendo aplicada pela startup norte-americana Bexorg, responsável pela plataforma BrainEx.
O sistema utiliza máquinas que bombeiam uma solução rica em oxigênio e nutrientes pelos vasos sanguíneos do cérebro logo após a morte do doador. O objetivo é preservar parte da atividade celular e metabólica do órgão por até 24 horas.
Como funciona o sistema
Segundo os pesquisadores, os cérebros utilizados pertencem a doadores recentemente falecidos e não apresentam consciência ou atividade elétrica comparável à de um cérebro vivo.
Para evitar qualquer possibilidade de atividade neural complexa, os órgãos permanecem sob efeito de anestésicos e substâncias que bloqueiam sinais elétricos relacionados à consciência.
Durante o processo, sensores acompanham:
- metabolismo celular;
- circulação química;
- proteínas cerebrais;
- respostas a medicamentos experimentais.
Após os testes, os tecidos são fragmentados para análises laboratoriais detalhadas.
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Objetivo é melhorar estudos sobre doenças neurológicas
Os cientistas afirmam que a principal motivação do projeto é superar limitações dos modelos animais utilizados atualmente em pesquisas médicas.
Doenças como:
- Doença de Alzheimer;
- Doença de Parkinson;
- Esclerose Lateral Amiotrófica
costumam se comportar de forma diferente em humanos e em animais de laboratório, o que leva muitos medicamentos promissores a fracassarem nos testes clínicos.
Segundo a empresa, mais de 700 cérebros já foram analisados utilizando o sistema BrainEx.
Pesquisas começaram com cérebros de porcos
A tecnologia deriva de estudos conduzidos em 2019 por neurocientistas da Universidade Yale, que conseguiram restaurar parcialmente funções celulares em cérebros de porcos horas após a morte.
Os pesquisadores demonstraram que algumas células cerebrais permanecem biologicamente viáveis por mais tempo do que se imaginava anteriormente.
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Debate ético cresce
O avanço dessas técnicas reacendeu discussões entre especialistas em bioética sobre os limites entre atividade biológica e consciência.
Embora os cientistas insistam que os cérebros preservados não possuem percepção, memória ou sofrimento, pesquisadores defendem que regulamentações mais rígidas poderão ser necessárias à medida que os experimentos avancem.
Além dos cérebros preservados temporariamente, outras pesquisas também utilizam Organoides cerebrais — pequenos agrupamentos de neurônios produzidos a partir de células-tronco humanas para estudar doenças neurológicas e respostas a medicamentos.
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