O antigo Hospital Colônia de Barbacena, considerado um dos maiores símbolos da violência manicomial no Brasil, foi fechado definitivamente após 122 anos de funcionamento. A unidade, localizada em Barbacena, encerrou oficialmente as atividades nesta segunda-feira (25), concluindo um longo processo de desinstitucionalização psiquiátrica.
Atualmente chamado de Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, o espaço vinha reduzindo gradualmente o número de internos permanentes. Os últimos 14 pacientes foram transferidos para uma nova unidade administrada pela prefeitura municipal.
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Instituição recebeu milhares de pessoas ao longo do século
Fundado em 1903, o hospital se tornou conhecido nacionalmente pelas denúncias de maus-tratos, abandono, superlotação e violações de direitos humanos registradas principalmente ao longo do século 20.
Segundo dados do governo de Minas Gerais citados na reportagem, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição entre 1942 e 2020, sendo que aproximadamente 24 mil morreram no local. Muitos dos internados sequer possuíam diagnóstico de transtorno mental.
Entre os grupos enviados ao hospital estavam:
- pessoas em situação de rua;
- homossexuais;
- mulheres consideradas “indesejadas” socialmente;
- epilépticos;
- presos políticos;
- indivíduos marginalizados pela sociedade da época.
Processo de desinstitucionalização
De acordo com especialistas, o processo de fechamento da instituição começou ainda no fim da década de 1970, impulsionado pela reforma psiquiátrica brasileira e pelo movimento antimanicomial.
Desde 2019, dezenas de moradores receberam alta para continuidade do tratamento em residências terapêuticas e outras unidades especializadas. Os últimos pacientes transferidos eram idosos, com média de 73 anos, muitos vivendo no hospital há quase cinco décadas.
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Memória preservada
A história do Hospital Colônia de Barbacena ganhou repercussão nacional por meio de reportagens, registros fotográficos e obras que documentaram os abusos ocorridos no local. Parte dessa memória permanece preservada no Museu da Loucura, instalado no antigo complexo psiquiátrico.
Entre as obras que ajudaram a popularizar a história da instituição estão o livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, e Nos Porões da Loucura. O tema também inspirou a série Colônia.
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