
Dólar estável em R$ 5,00 e Ibovespa fecha em leve alta (Foto: Instagram)
O dólar apresentou uma leve queda de 0,06% em relação ao real, permanecendo em R$ 5,00 nesta quinta-feira (21/5). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o dia com alta de 0,17%, alcançando 177,6 mil pontos. As variações mínimas indicaram estabilidade nos dois indicadores.
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Mais uma vez, a expectativa pelo fim do conflito entre Estados Unidos e Irã influenciou os mercados globais de câmbio e ações. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, tem mantido os agentes econômicos em constante estado de alerta.
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Nesta quinta-feira, o canal estatal Al Arabiya, da Arábia Saudita, anunciou que Estados Unidos e Irã chegaram a um esboço de acordo, com a mediação do Paquistão. No entanto, nenhum dos dois países confirmou oficialmente a informação.
Mesmo assim, segundo a emissora saudita, o rascunho do documento prevê um cessar-fogo imediato e abrangente. A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção global de petróleo, também estaria incluída no acordo, mediante um monitoramento conjunto da região.
PETRÓLEO
Essas informações trouxeram um alívio imediato, embora modesto, nos preços internacionais do petróleo. O barril do tipo Brent, referência global, fechou em queda de 2,43%, a US$ 102,58 (no dia anterior, estava em US$ 104,88). Já o tipo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu 1,94%, para US$ 96,35 (no dia anterior, fechou em US$ 98,21) por barril.
PESSIMISMO
Antes da notícia sobre o acordo entre EUA e Irã, os mercados globais operavam em um clima de pessimismo. Isso se deveu, em parte, ao tom severo da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, divulgada na quarta-feira (20/5). O documento reforçou a expectativa de manutenção de juros elevados na economia americana por um período prolongado.
Essa perspectiva também foi reforçada pelos dados do índice de gerentes de compras (PMI) dos Estados Unidos, que reúne informações sobre a atividade dos setores industrial e de serviços. O PMI ficou estável em 51,7 em maio, conforme a leitura preliminar divulgada pela S&P Global. Isso indica que a economia americana continua aquecida, sem espaço para cortes de juros.
BOLSAS GLOBAIS
A notícia do acordo entre EUA e Irã, divulgada à tarde, não chegou a tempo de impactar positivamente as bolsas europeias. Os principais índices do continente fecharam em queda, em meio ao temor de aumento da inflação global, devido à continuidade do conflito no Oriente Médio. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,11%. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,33% e, em Paris, o CAC 40 desceu 0,39%.
Em Wall Street, no entanto, as informações divulgadas pela TV saudita tiveram efeito positivo. Às 16h50, o S&P 500 subia 0,10% e o Dow Jones avançava 0,58%. O Nasdaq, que reúne ações de empresas de tecnologia, caiu 0,04%.
NVIDIA
A queda no Nasdaq foi, em grande parte, consequência da divulgação do balanço da Nvidia, fabricante de chips usados em sistemas de inteligência artificial (IA). Embora os resultados financeiros tenham sido robustos, não foram suficientes para animar o mercado, que parece exigir resultados cada vez mais expressivos da empresa.
No primeiro trimestre deste ano, a receita da Nvidia totalizou US$ 81,6 bilhões, um aumento de 85% em relação ao ano anterior e acima das projeções dos analistas, que eram de US$ 79 bilhões. O lucro líquido atingiu US$ 58,3 bilhões, um salto de 211% em relação ao mesmo período do ano anterior.
ANÁLISE
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o cenário global mudou com os relatos da mídia saudita sobre um acordo entre EUA e Irã. “A novidade gerou uma liquidação no petróleo, impulsionou as bolsas mundiais e provocou um rali nos Treasuries, os títulos da dívida do governo americano, reduzindo os rendimentos longos e suavizando as apostas de aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed)”, afirma.
Shahini observa que, apesar disso, as informações não foram suficientes para justificar uma queda mais acentuada no preço do petróleo, que continua sendo negociado próximo a US$ 107, limitando a melhora no sentimento de risco. “O alívio externo — principalmente nos juros longos americanos— ajudou a conter a força global do dólar e permitiu ao real permanecer próximo ao patamar de R$ 5,00”, conclui.



