Um estudo internacional conduzido por pesquisadores da Universidade Técnica de Munique revelou que diversas cidades costeiras ao redor do mundo enfrentam um aumento acelerado no risco de alagamentos devido à combinação entre a elevação do nível do mar e o afundamento gradual do solo urbano.
Segundo os cientistas, milhões de pessoas vivem atualmente em regiões onde o chamado “nível relativo do mar” cresce cerca de 6 milímetros por ano — quase o triplo da média global registrada nas áreas costeiras do planeta.
Os pesquisadores explicam que o problema não está relacionado apenas às mudanças climáticas e ao derretimento de geleiras, mas também a um fenômeno conhecido como subsidência terrestre, que ocorre quando o solo afunda lentamente ao longo do tempo.
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Esse afundamento pode ser provocado por diferentes fatores, como retirada excessiva de água subterrânea, extração de petróleo e gás natural, compactação de sedimentos e até o peso das próprias estruturas urbanas construídas sobre terrenos instáveis.
O estudo aponta que regiões costeiras localizadas em deltas e áreas sedimentares são especialmente vulneráveis. Entre os países mais afetados estão Indonésia, Bangladesh, China, Egito, Nigéria e Tailândia.
Entre as cidades destacadas pelos pesquisadores aparecem Jacarta, Bangkok, Lagos, Alexandria e Tianjin.
Na capital indonésia, por exemplo, algumas regiões chegam a afundar cerca de 42 milímetros por ano, segundo o levantamento. Isso faz com que o impacto das enchentes e das marés altas seja ainda mais severo para a população local.
Os cientistas ressaltam que o verdadeiro risco para as cidades costeiras depende da relação entre a subida da água e o comportamento do terreno. Assim, mesmo locais onde o oceano sobe lentamente podem enfrentar enchentes frequentes caso o solo esteja afundando rapidamente.
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Apesar do cenário preocupante, os autores afirmam que parte do problema pode ser reduzida por meio de políticas públicas locais. O controle da retirada de água subterrânea aparece como uma das principais medidas para desacelerar a subsidência.
O estudo cita exemplos como Tóquio e a região de Houston, onde regulamentações ambientais e mudanças nos sistemas de abastecimento ajudaram a reduzir significativamente o afundamento do solo após décadas de impactos.
Os pesquisadores também destacam que algumas regiões do planeta apresentam o fenômeno contrário. Em partes da Suécia, Finlândia e Groenlândia, o solo continua subindo lentamente devido a processos geológicos relacionados ao recuo de antigas camadas de gelo da Era Glacial.
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