
Dólar registra alta de 1,63% frente ao real em dia de tensão geopolítica (Foto: Instagram)
Nesta sexta-feira (15/5), os mercados de câmbio e ações tiveram um dia difícil. O dólar subiu expressivamente 1,63% em relação ao real, encerrando o dia cotado a R$ 5,06. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,61%, fechando em 177,2 mil pontos, nível semelhante ao de janeiro.
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O impasse contínuo entre os Estados Unidos e o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, foi um dos fatores que influenciaram negativamente os mercados. A passagem está fechada desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
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Com isso, o preço do petróleo voltou a subir no mercado internacional. O barril do Brent, referência mundial, subiu 3,35%, atingindo US$ 109,26. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, aumentou 4,03%, para US$ 105,25 por barril.
A alta nos preços das commodities intensificou as preocupações com a inflação, especialmente nos Estados Unidos, onde a economia e o emprego seguem aquecidos. Assim, o mercado financeiro reduziu as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), que atualmente estão entre 3,50% e 3,75%.
No início do ano, muitos analistas previam reduções nas taxas, com cortes esperados a partir de julho. Mas isso mudou drasticamente. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, não apenas as previsões de queda foram eliminadas, como também aumentaram as chances de alta nas taxas.
Para a reunião do Fed em dezembro, as chances de um aumento na taxa chegam a 50%. Para um aumento de 0,25 ponto percentual, a probabilidade é de 39%; para 0,5 ponto, 10%; e para 1 ponto, 1%.
Esse cenário elevou as curvas de juros e derrubou as bolsas. Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu 1,5%. Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,71%, enquanto em Frankfurt, o DAX caiu 2,07%. O CAC 40, de Paris, registrou queda de 1,60%.
Nos Estados Unidos, as principais bolsas de Nova York também caíram. O S&P 500 recuou 1,05%, o Dow Jones 0,97%, e o Nasdaq, que reúne empresas de tecnologia, caiu 1,29%.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe do Nomad, o pregão desta sexta-feira confirmou um cenário de forte aversão ao risco, com uma reprecificação agressiva dos ativos globais devido à inflação persistente e tensões geopolíticas.
“Esse movimento está relacionado à geopolítica, com novas acusações entre Teerã e Washington sobre a falta de disposição para um consenso”, explica. “O conflito que mantém o Brent acima de US$ 108 alimenta o choque de oferta e a pressão inflacionária, e o mercado agora trabalha com a perspectiva de juros elevados por mais tempo.”
Zogbi destaca que o principal fator de pressão continua sendo o mercado de títulos soberanos. Os Treasuries americanos de 10 anos renovaram máximas não vistas desde o primeiro semestre do ano passado, com o mercado apostando em aumento de juros pelo Fed ainda em 2026. “Essa foi uma mudança drástica em relação ao afrouxamento previsto no início do ano.”
Nesse ambiente, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, testou o nível dos 100 pontos, enquanto o VIX, conhecido como “índice do medo” de Wall Street, apresentou nova rodada de estresse.
“A aversão ao risco pressiona países emergentes, justificando a forte alta do dólar frente ao real”, conclui a analista. “O aumento das taxas de juros longas também pressionou o Ibovespa, e a falta de clareza sobre o quadro eleitoral e fiscal no Brasil reduz as chances de recuperação do índice, mantendo os investidores na defensiva ao final da semana.”



