Um estudo publicado na revista científica Current Biology revelou indícios de que bebês podem começar a reproduzir comportamentos das mães ainda dentro do útero. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Parma, observou que fetos no terceiro trimestre da gestação passaram a bocejar com maior frequência após as mães realizarem o mesmo movimento.
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores acompanharam 38 gestantes enquanto elas assistiam a vídeos de pessoas bocejando. As reações das mulheres foram registradas por câmeras, enquanto exames de ultrassom monitoravam simultaneamente os movimentos dos fetos.
Os resultados mostraram que cerca de 64% das participantes bocejaram durante os testes. Entre esses casos, pouco mais da metade dos bebês também apresentou movimentos de bocejo, geralmente cerca de um minuto e meio após a reação materna.
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Segundo os cientistas, o comportamento ocorreu em frequência significativamente maior após o bocejo da mãe do que em momentos espontâneos, levantando a hipótese de uma espécie de sincronização comportamental ainda antes do nascimento.
O chamado “bocejo contagioso” já é conhecido em humanos e outros animais sociais, sendo frequentemente associado à empatia, à coordenação em grupo e à conexão social. O fenômeno também já foi observado em espécies como cães, leões e aves.
A neurocientista Giulia D’Adamo afirmou que a gravidez pode envolver níveis de conexão entre mãe e bebê mais complexos do que se imaginava anteriormente. “Durante a gravidez, tudo é preparação para o que acontecerá depois”, explicou a pesquisadora em entrevista ao portal Science News.
Até então, os bocejos fetais eram interpretados principalmente como parte do desenvolvimento físico do organismo, ajudando na formação muscular, respiratória e neurológica do bebê. Agora, os pesquisadores consideram a possibilidade de que fatores ligados ao corpo materno também influenciem esse comportamento.
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Entre as hipóteses estudadas estão alterações de pressão dentro do útero provocadas pelo movimento físico do bocejo ou até mudanças hormonais desencadeadas pela reação da mãe.
Apesar da descoberta, os cientistas afirmam que ainda não é possível determinar qual seria a função exata dessa resposta antes do nascimento. A próxima etapa da pesquisa pretende investigar se essa sincronização pode ter relação futura com o desenvolvimento emocional e social das crianças após o parto.
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