Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade de Zurique está chamando atenção ao propor uma nova conexão entre genética humana e evolução das línguas ao redor do planeta. O estudo sugere que regiões com maior diversidade genética tendem a apresentar idiomas estruturalmente mais semelhantes, enquanto áreas mais isoladas geneticamente desenvolvem línguas mais distintas entre si.
O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e reuniu dados globais de genética populacional e estruturas linguísticas para tentar compreender como movimentos humanos ao longo da história podem ter influenciado a maneira como os idiomas evoluíram.
Segundo os pesquisadores, o padrão observado se repetiu em diferentes continentes. Em locais marcados por intensa mistura populacional — seja por migrações, comércio ou colonização — as línguas passaram por processos de aproximação estrutural ao longo do tempo.
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Isso significa que idiomas diferentes podem acabar compartilhando características semelhantes na organização das frases, como a posição de sujeito, verbo e objeto, por exemplo.
Já em regiões historicamente mais isoladas, como partes da Nova Guiné e áreas do Himalaia, os cientistas identificaram menor diversidade genética combinada a sistemas linguísticos muito mais variados e específicos.
Para chegar às conclusões, a equipe utilizou análises de ancestralidade genética e métodos estatísticos aplicados à linguística, incluindo cálculos de entropia — técnica usada para medir níveis de variação e complexidade em determinados padrões.
Os pesquisadores destacam que o estudo não defende qualquer relação determinista entre genética e linguagem. Pelo contrário: os resultados reforçam que idiomas são construções culturais moldadas principalmente pela interação social, pelo contato entre populações e pela necessidade de comunicação.
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Na prática, o trabalho ajuda a compreender como movimentos populacionais ao longo da história podem influenciar o desenvolvimento das línguas sem que isso signifique uma ligação biológica direta entre DNA e fala.
Segundo os autores, regiões com maior contato entre diferentes povos tendem naturalmente a simplificar ou aproximar estruturas linguísticas para facilitar a comunicação cotidiana. Já comunidades isoladas preservam sistemas gramaticais mais particulares, desenvolvidos de acordo com necessidades locais específicas.
A pesquisa também rebate interpretações pseudocientíficas frequentemente associadas à ideia de superioridade linguística ou genética. Para os cientistas, os dados mostram justamente o contrário: as línguas evoluem sobretudo por interação cultural e adaptação social, e não por fatores biológicos determinantes.
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