Uma pesquisa envolvendo inteligência artificial voltou a colocar no centro das discussões um dos maiores mistérios da história da monarquia inglesa: afinal, qual era o verdadeiro rosto de Ana Bolena? Um estudo recente sugere que um desenho do século 16, antes atribuído a uma mulher desconhecida, pode na verdade representar a segunda esposa do rei Henrique VIII.
A análise foi publicada na revista acadêmica npj Heritage Science e utilizou ferramentas de reconhecimento facial para examinar obras atribuídas ao pintor alemão Hans Holbein, o Jovem, famoso por retratar membros da corte Tudor.
O estudo foi liderado pela historiadora independente Karen Davies, em parceria com especialistas das universidades de Bradford e Stanford. A equipe comparou traços faciais presentes em desenhos históricos com características observadas em retratos de parentes de Ana Bolena, incluindo sua filha, a rainha Elizabeth I.
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Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que um dos esboços tradicionalmente associados a Ana Bolena provavelmente retrata, na verdade, sua mãe, Elizabeth Howard. Já outro desenho, catalogado por séculos como o retrato de uma mulher desconhecida, apresentaria compatibilidade maior com descrições históricas da rainha executada em 1536.
Os autores defendem que os desenhos de Holbein funcionavam como modelos técnicos extremamente detalhados, o que favoreceria análises biométricas feitas por inteligência artificial. “Isso os torna particularmente adequados para estudos de proporções faciais e estrutura óssea”, afirmou o pesquisador David Stork ao London Times.
Apesar da repercussão, o estudo divide especialistas. A curadora Charlotte Bolland lembrou que não existe nenhum retrato de Ana Bolena cuja autenticidade seja considerada totalmente definitiva, dificultando comparações conclusivas.
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Já o historiador de arte Bendor Grosvenor criticou publicamente a metodologia, afirmando que a pesquisa pode estar baseada em “ruído estatístico” e questionando a confiabilidade de comparar obras produzidas em contextos e técnicas diferentes.
Em vez de encerrar a discussão, o uso da inteligência artificial parece ter aberto uma nova etapa no debate histórico sobre Ana Bolena — agora marcada pelo confronto entre tecnologia moderna e interpretação tradicional da arte renascentista.
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