A Coreia do Norte promoveu uma mudança significativa em sua Constituição ao retirar referências à reunificação da Península Coreana e formalizar a Coreia do Sul como um território estrangeiro fronteiriço. A alteração reforça a estratégia defendida por Kim Jong-un de tratar as duas Coreias como Estados distintos e permanentemente separados.
Segundo informações analisadas pela Reuters, a revisão constitucional teria sido aprovada durante reunião da Assembleia Popular Suprema, principal órgão legislativo do regime de Pyongyang.
Pela primeira vez, a Constituição norte-coreana passou a incluir uma definição territorial explícita. O novo texto afirma que o território do país faz fronteira ao norte com a China e a Rússia e, ao sul, com a República da Coreia — nome oficial da Coreia do Sul.
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A mudança simboliza uma ruptura histórica com décadas de discurso oficial favorável à reunificação coreana. Agora, a separação política e militar entre os dois países passa a estar formalmente incorporada à estrutura legal do regime.
Além da questão territorial, a nova Constituição amplia o poder institucional de Kim Jong-un. O líder passa a ser descrito oficialmente como chefe de Estado em sua função de presidente da Comissão de Assuntos de Estado, consolidando ainda mais sua autoridade política.
O texto também fortalece o posicionamento nuclear norte-coreano. A revisão estabelece explicitamente que o comando das forças nucleares está sob responsabilidade direta de Kim e reafirma a Coreia do Norte como um “Estado com armas nucleares”.
Segundo o documento, o país continuará investindo no desenvolvimento de armamentos atômicos para garantir sua segurança, dissuadir conflitos e proteger seus interesses estratégicos.
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Especialistas apontam que a nova redação reforça a chamada doutrina dos “dois Estados hostis”, defendida por Pyongyang nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o texto evita detalhar disputas territoriais mais delicadas, como limites marítimos no Mar Amarelo, o que pode indicar tentativa de evitar tensões imediatas adicionais.
Nos últimos anos, as relações entre as duas Coreias se deterioraram significativamente, com aumento das tensões militares, testes de armamentos e sucessivas recusas de diálogo por parte do governo norte-coreano.
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