O Brasil avançou no ranking global de liberdade de imprensa e, pela primeira vez, aparece à frente dos Estados Unidos na avaliação anual da Repórteres Sem Fronteiras. Divulgado nesta quinta-feira (30), o relatório coloca o país na 52ª posição após uma subida de cinco lugares, enquanto os norte-americanos caíram para o 64º posto.
O desempenho brasileiro contrasta com a tendência observada em outras nações do continente. Segundo o documento, a região das Américas enfrenta um cenário de deterioração, marcado principalmente pelo aumento da violência ligada ao crime organizado e por pressões políticas contra jornalistas. “Apesar de algumas recuperações nos últimos anos, como a do Brasil, a história recente da liberdade de imprensa no continente em geral é marcada por duas tendências: o aumento da violência cometida por agentes do crime organizado e a violência proveniente de forças políticas”, aponta o relatório.
A queda dos Estados Unidos é atribuída, entre outros fatores, ao ambiente de hostilidade em relação à imprensa. A organização destaca episódios envolvendo o presidente Donald Trump, incluindo ataques públicos a veículos de comunicação e a detenção do jornalista salvadorenho Mário Guevara, posteriormente deportado após cobrir um protesto contra políticas do governo.
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O estudo também observa que lideranças políticas em países latino-americanos têm adotado estratégias semelhantes de enfrentamento à mídia. O presidente argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele são citados como exemplos. A Argentina caiu para a 98ª posição, enquanto El Salvador recuou ao 143º lugar.
A análise da RSF abrange 180 países e leva em conta cinco critérios: contexto político, estrutura legal, ambiente econômico, aspectos socioculturais e segurança dos profissionais de imprensa.
No cenário global, a liderança segue com a Noruega, que ocupa o primeiro lugar há uma década. Na outra ponta, a Eritreia permanece como o país com pior avaliação, mantendo jornalistas sob repressão severa — entre eles Dawit Isaak, preso há 25 anos sem julgamento.
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O relatório ainda destaca mudanças pontuais, como a melhora da Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad. Apesar do avanço, o país continua entre os mais problemáticos, ocupando a 141ª posição e sendo classificado como de situação “grave”.
De forma geral, a organização alerta que a liberdade de imprensa no mundo atingiu seu nível mais baixo em um quarto de século, reforçando o alerta sobre os desafios enfrentados pelo jornalismo em diferentes regiões.
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