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quarta-feira, setembro 16, 2026

Chimpanzé “faz música” com o próprio corpo e surpreende cientistas no Japão

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Um comportamento inesperado observado no Japão colocou um chimpanzé no centro de uma discussão científica sobre as origens da música. Em um centro de pesquisa da Universidade de Kyoto, o animal passou a produzir sons rítmicos enquanto vocalizava simultaneamente — algo que, até então, não havia sido documentado dessa forma entre primatas.

O protagonista é Ayumu, um chimpanzé de 26 anos que vive no Centro para as Origens Evolutivas do Comportamento Humano. Durante os experimentos, ele foi visto retirando tábuas de uma passarela para utilizá-las como instrumento de percussão, ao mesmo tempo em que emitia vocalizações organizadas.

O episódio foi registrado pela primeira vez em fevereiro de 2023, mas o comportamento continuou sendo monitorado até março de 2025. Nesse período, os pesquisadores contabilizaram 89 ocorrências espontâneas, analisadas posteriormente com base em gravações em vídeo.

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O que mais chamou a atenção dos cientistas não foi apenas o ato de produzir batidas — algo já observado em chimpanzés —, mas a coordenação entre diferentes formas de emissão sonora. Segundo a pesquisadora Yuko Hattori, a combinação entre percussão e vocalização indica um nível de organização mais complexo do que simples ações aleatórias.

Para entender melhor o padrão, a equipe separou os movimentos em categorias, como golpear, arrastar e lançar objetos. A análise revelou que as sequências seguiam uma lógica consistente, com intervalos regulares entre as batidas — um ritmo considerado isócrono, semelhante ao de um metrônomo.

Em alguns momentos, o uso das tábuas produziu uma cadência ainda mais estável do que os sons gerados com mãos ou pés, o que sugere controle motor e percepção auditiva refinados.

Outro aspecto observado foi a expressão facial do animal durante a atividade. Em diversas ocasiões, Ayumu apresentou o chamado “play face”, associado a situações de brincadeira entre primatas, indicando possível envolvimento emocional com a ação.

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Para os pesquisadores, o caso vai além de uma curiosidade comportamental. A hipótese é que esse tipo de coordenação entre sons vocais e percussivos possa representar uma etapa importante na evolução da musicalidade.

Como materiais usados em instrumentos primitivos — como madeira, couro e fibras — raramente são preservados ao longo do tempo, o estudo do comportamento de grandes primatas pode oferecer pistas valiosas sobre como a produção musical surgiu entre os humanos.

A observação reforça evidências anteriores de que chimpanzés são capazes de criar padrões rítmicos ao interagir com o ambiente. No entanto, a simultaneidade entre “canto” e percussão torna o registro japonês particularmente relevante para a ciência.

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