A ideia que ganhou fama no cinema com o filme Perdido em Marte pode estar mais próxima da realidade do que se imaginava. Um estudo recente aponta que resíduos humanos podem ser utilizados para transformar o solo da Lua e de Marte em um ambiente mais favorável ao cultivo de plantas.
Os resultados, publicados na revista científica ACS Earth and Space Chemistry, mostram que o uso de resíduos orgânicos processados pode ajudar a liberar nutrientes essenciais presentes no regolito — material que compõe a superfície desses corpos celestes.
Solo não é naturalmente fértil
Diferente da Terra, o chamado regolito lunar e marciano não é considerado um solo fértil. Apesar de conter minerais importantes, os nutrientes estão “presos” em sua estrutura e não podem ser absorvidos diretamente pelas plantas.
Esse cenário representa um dos principais desafios para missões espaciais de longa duração, já que o envio contínuo de alimentos da Terra é inviável em termos logísticos e financeiros.
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Como funciona a solução
No experimento, cientistas utilizaram sistemas com biorreatores para processar resíduos humanos, gerando um material rico em nutrientes e livre de substâncias tóxicas. Esse composto foi então misturado a simulantes de solo lunar e marciano.
Após o processo, foram identificados elementos importantes para o crescimento das plantas, como enxofre, cálcio, magnésio e sódio. Além disso, análises microscópicas mostraram mudanças na estrutura do material, tornando-o mais semelhante a um solo cultivável.
Ainda há limitações
Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam que o método ainda não fornece todos os nutrientes necessários. Elementos como ferro, zinco e cobre não foram identificados em quantidade suficiente, o que indica a necessidade de novas pesquisas.
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Caminho para a autossuficiência no espaço
A produção de alimentos fora da Terra é considerada essencial para futuras bases em Marte e na Lua. O uso de recursos disponíveis no próprio ambiente — incluindo resíduos humanos — faz parte da estratégia conhecida como utilização “in situ”.
A proposta pode reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra e representar um passo importante para tornar missões espaciais mais sustentáveis e viáveis a longo prazo.
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