A estreia da minissérie Emergência Radioativa trouxe de volta um dos episódios mais graves da história recente do Brasil — e revelou também o desconhecimento de parte do público sobre o tema. Durante a divulgação da produção, o ator Johnny Massaro contou que inicialmente acreditou se tratar de uma obra de ficção.
“Quando li a cena, a sinopse, achei que era ficção. Quando descobri que era verdade, foi um choque […] porque se eu não conhecia, talvez muita gente também não conheça”, afirmou.
A série, lançada pela Netflix, reconstrói o acidente com o Césio-137 ocorrido em 1987, em Goiânia — considerado o maior desastre radiológico já registrado no país. A narrativa destaca não apenas os efeitos da contaminação, mas também o papel da desinformação na amplificação da tragédia.
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Tragédia real que parecia ficção
O episódio teve início após a violação de um aparelho de radioterapia abandonado, que continha material altamente radioativo. A substância, que emitia um brilho azulado, foi manipulada por moradores sem conhecimento dos riscos, espalhando contaminação por diferentes áreas da cidade.
Massaro destacou justamente esse aspecto como um dos mais impactantes: a aparência inofensiva do material. Segundo ele, trata-se de um “perigo invisível”, capaz de causar danos severos sem sinais imediatos claros.
Comparações inevitáveis
Durante a entrevista, o ator também comentou as comparações com Chernobyl. Embora ambas abordem desastres radiológicos, ele ressalta diferenças importantes.
Enquanto o acidente na Ucrânia envolveu a explosão de um reator nuclear, o caso brasileiro ocorreu de forma silenciosa, com a dispersão do material radioativo sem qualquer explosão — o que contribuiu para a demora na identificação do problema.
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Memória, impacto e legado
Para o elenco e a produção, a série cumpre um papel que vai além do entretenimento. Ao revisitar o caso, busca preservar a memória coletiva e dar visibilidade às vítimas, muitas das quais ainda convivem com as consequências da exposição à radiação.
“Eu acho que séries como a nossa […] cumprem exatamente a função de resgatar a memória […] na esperança de que a coisa não se repita”, disse o ator.
Dirigida por Fernando Coimbra e produzida pela Gullane, a obra reúne nomes como Leandra Leal, Paulo Gorgulho e Tuca Andrada.
Mais do que recontar uma tragédia, “Emergência Radioativa” reacende um alerta atual: o risco de ignorar eventos históricos que, embora reais, ainda são desconhecidos por grande parte da população.
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