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quarta-feira, setembro 16, 2026

Bebês já demonstram capacidade de enganar antes de falar, aponta estudo

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A ideia de que a mentira só aparece quando a criança aprende a falar começa a perder força. Um estudo conduzido pela Universidade de Bristol indica que bebês com menos de um ano já são capazes de demonstrar formas iniciais de engano.

A pesquisa, publicada na revista Cognitive Development, analisou o comportamento de mais de 750 famílias e identificou que cerca de 25% das crianças já apresentam sinais de dissimulação por volta dos 10 meses. Em alguns casos, esse tipo de comportamento foi observado ainda mais cedo, a partir dos oito meses.

Para a pesquisadora Elena Hoicka, responsável pelo estudo, os resultados ampliam a compreensão sobre o desenvolvimento infantil. “É fascinante notar como o uso do engano evolui desde uma idade tão jovem”, afirmou.

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Segundo os dados, essas primeiras manifestações não envolvem fala, mas sim estratégias simples. Entre os exemplos estão fingir que não ouviu uma orientação dos pais ou tentar pegar algo escondido — comportamentos que já indicam uma forma básica de manipulação de situações.

Os cientistas também apontam que esse tipo de habilidade não depende exclusivamente da linguagem. A análise considerou estudos com animais, como primatas e aves, sugerindo que o comportamento tem raízes mais instintivas do que se imaginava.

Com o crescimento, a complexidade aumenta. Por volta dos dois anos, as crianças passam a negar verbalmente situações, enquanto, aos três, já conseguem criar histórias mais elaboradas e até atribuir a culpa a terceiros — reais ou imaginários.

Ao todo, os pesquisadores identificaram 16 formas diferentes de engano ao longo da primeira infância. Apesar de causar preocupação em alguns pais, o comportamento é considerado parte natural do desenvolvimento cognitivo e social.

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A filósofa Jennifer Saul, coautora do estudo, destaca que a descoberta ajuda a desmistificar a relação entre mentira e má conduta. “Essa é uma etapa normal do desenvolvimento”, pontua.

Os resultados indicam que, longe de ser um problema, as primeiras “mentirinhas” fazem parte do aprendizado sobre interação social, intenção e compreensão do outro — habilidades essenciais para a vida em sociedade.

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