Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund propõe uma hipótese surpreendente sobre a origem da visão nos vertebrados. De acordo com a pesquisa, os olhos que hoje caracterizam animais como peixes, aves, mamíferos e humanos podem ter se desenvolvido a partir de um ancestral remoto que possuía apenas um órgão sensível à luz no topo da cabeça.
Esse organismo marinho teria vivido há cerca de 600 milhões de anos, muito antes do surgimento dos primeiros vertebrados modernos. Em vez de dois olhos laterais capazes de formar imagens, ele apresentava uma única estrutura fotossensível central, responsável por perceber variações básicas de luminosidade no ambiente.
Para chegar a essa hipótese, os cientistas analisaram células fotorreceptoras e estruturas sensoriais presentes em diferentes grupos animais. Ao comparar dados genéticos e moleculares, foi possível identificar padrões semelhantes que ajudam a reconstruir como sistemas visuais simples podem ter evoluído para órgãos muito mais complexos ao longo do tempo.
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De um sensor de luz aos olhos modernos
Segundo os pesquisadores, o ancestral dos vertebrados pode ter perdido seus olhos laterais em um estágio inicial de evolução. O que permaneceu foi um órgão mediano, localizado no topo do corpo, que funcionava como um sensor de luz capaz de distinguir mudanças ambientais, como a alternância entre dia e noite.
Com o passar de milhões de anos, esse sistema teria passado por transformações evolutivas importantes. Partes da estrutura original teriam se duplicado e se especializado, originando os dois olhos laterais que caracterizam os vertebrados atuais e permitem formar imagens detalhadas do ambiente.
A possível ligação com a glândula pineal
Um dos pontos mais curiosos levantados pela pesquisa envolve a glândula pineal. Esse pequeno órgão localizado no cérebro, responsável por regular ciclos biológicos como o sono, pode ser um vestígio desse antigo sistema sensorial.
Embora hoje não funcione como um olho, a glândula ainda reage indiretamente à luz e desempenha papel importante no controle do ritmo circadiano. Para os cientistas, isso pode indicar que ela representa um remanescente funcional da estrutura primitiva responsável pela percepção luminosa.
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Uma nova forma de entender a evolução da visão
A hipótese contrasta com interpretações anteriores que defendiam múltiplas origens independentes para os olhos em diferentes linhagens animais. A presença de um órgão mediano ancestral, por outro lado, sugere que a visão dos vertebrados pode ter uma origem comum muito mais antiga do que se imaginava.
Caso essa interpretação seja confirmada por pesquisas futuras, ela poderá ajudar a explicar como um simples sensor de luz evoluiu, ao longo de centenas de milhões de anos, para se tornar um dos sistemas biológicos mais sofisticados do reino animal.
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