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quarta-feira, setembro 16, 2026

Caso da mulher que teve células “imortais” retiradas sem consentimento ganha novo capítulo

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A história de Henrietta Lacks, mulher cujas células transformaram a medicina moderna sem que ela soubesse, voltou ao centro do debate científico e jurídico após novos desdobramentos envolvendo empresas farmacêuticas.

Henrietta morreu em 1951, aos 31 anos, no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, vítima de um câncer agressivo no colo do útero. Durante o tratamento, médicos coletaram amostras de suas células tumorais sem consentimento da paciente ou de sua família.

Essas células deram origem à linhagem conhecida como HeLa, considerada a primeira linha celular humana “imortal”. Diferentemente de outras células cultivadas em laboratório, elas conseguem sobreviver e se multiplicar indefinidamente, tornando-se uma ferramenta essencial para pesquisas biomédicas.

Impacto na ciência

Ao longo das últimas décadas, as células HeLa foram utilizadas em estudos fundamentais sobre doenças e tratamentos. Elas contribuíram para pesquisas relacionadas ao HPV, à poliomielite, ao HIV, a diferentes tipos de câncer e, mais recentemente, à Covid-19.

Graças à capacidade de replicação contínua, a linhagem celular permitiu avanços no desenvolvimento de vacinas, medicamentos e técnicas laboratoriais que hoje fazem parte da rotina da medicina moderna.

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Debate ético e racial

Apesar da importância científica, o caso também se tornou símbolo de uma discussão ética profunda. Durante anos, a identidade de Henrietta Lacks foi mantida em segredo, e a própria família só descobriu em 1973 que as células estavam sendo amplamente distribuídas em laboratórios e comercializadas para pesquisa.

A história expôs questões relacionadas ao consentimento informado, à exploração de pacientes e às desigualdades raciais na pesquisa médica, já que Henrietta era uma mulher negra tratada em um hospital segregado da época.

A trajetória da família foi amplamente divulgada após a publicação do livro A Vida Imortal de Henrietta Lacks, da escritora Rebecca Skloot, que ajudou a popularizar o debate internacional sobre o caso.

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Novos acordos judiciais

Nos últimos anos, os herdeiros da paciente iniciaram ações judiciais contra empresas do setor biomédico que lucraram com a utilização das células HeLa.

Em 2021, a família processou a Thermo Fisher Scientific, alegando que a empresa obteve lucros bilionários com produtos derivados da linhagem celular. O caso terminou em acordo extrajudicial.

Mais recentemente, a farmacêutica Novartis também chegou a um acordo com o espólio de Henrietta Lacks em um tribunal federal no estado de Maryland. Os valores não foram divulgados.

Mesmo após mais de sete décadas, as células HeLa continuam sendo usadas em laboratórios ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, a família segue buscando reconhecimento e reparação pelo uso de um material biológico coletado sem autorização — um episódio que mudou a ciência e redefiniu os debates sobre ética na pesquisa médica.

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