Uma teoria que ganhou força nas redes sociais afirma que os oito tipos sanguíneos humanos teriam origem direta nos oito sobreviventes da Arca de Noé. Segundo a narrativa, cada descendente do patriarca bíblico teria dado origem a um grupo sanguíneo diferente — explicação que, para seus defensores, justificaria a existência das oito combinações mais conhecidas do sistema ABO e do fator Rh.
A proposta, difundida em vídeos e textos de viés religioso, mistura interpretação literal do relato bíblico com argumentos genéticos simplificados. No entanto, pesquisadores da área de biologia e genética afirmam que não há qualquer evidência científica que sustente essa relação.
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O que diz a ciência
Os tipos sanguíneos são determinados por variações genéticas que afetam moléculas presentes na superfície dos glóbulos vermelhos. O sistema ABO define quatro grupos principais — A, B, AB e O — enquanto o fator Rh determina se o sangue é positivo ou negativo. A combinação dos dois sistemas resulta nos oito tipos mais comuns, como A+, O– ou AB+.
Essas variações não surgiram de um único evento histórico nem de um grupo restrito de indivíduos. Estudos mostram que os polimorfismos responsáveis pelos grupos sanguíneos são muito antigos e antecedem inclusive o surgimento do Homo sapiens. Variações semelhantes já foram identificadas em outros primatas, como chimpanzés e orangotangos, indicando que a diversidade sanguínea faz parte de um processo evolutivo de milhões de anos.
Especialistas destacam ainda que a diversidade genética humana não pode ser explicada por um único ponto de origem recente. O mapeamento do DNA ao longo das últimas décadas demonstra que as populações humanas resultam de processos complexos de migração, adaptação e seleção natural.
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Religião e biologia não se confundem
Embora o relato da Arca de Noé faça parte da tradição judaico-cristã e tenha forte valor simbólico, a tentativa de vinculá-lo diretamente a mecanismos biológicos modernos é considerada pseudocientífica. Para a comunidade acadêmica, a genética segue parâmetros empíricos baseados em análise molecular, fósseis e estudos comparativos entre espécies.
Assim, apesar da popularidade da teoria nas redes, não há qualquer base médica ou biológica que conecte os oito tipos sanguíneos aos personagens do episódio bíblico. A diversidade sanguínea humana é resultado de um longo percurso evolutivo — não de uma única narrativa histórica.
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