A Avenida Paulista voltou a ser palco de mobilização da direita neste domingo (1º), em um ato que reuniu 20,4 mil pessoas, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo, em parceria com a ONG More in Common. O número ficou abaixo da média registrada em manifestações semelhantes ao longo de 2025.
O evento marcou dois movimentos distintos dentro do bolsonarismo: a retomada de ataques mais duros ao Supremo Tribunal Federal por parte de lideranças aliadas e a consolidação do discurso eleitoral do senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República.
Enquanto o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia direcionaram críticas diretas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, Flávio adotou uma estratégia diferente. Do alto do trio elétrico, concentrou ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evitou mencionar magistrados nominalmente.
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Discurso com foco eleitoral
Em sua fala, o senador fez acenos a segmentos considerados estratégicos para a corrida presidencial, como o eleitorado feminino e beneficiários do Bolsa Família. Também exaltou governadores presentes ao ato, entre eles Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado — todos mencionados como possíveis nomes relevantes no tabuleiro eleitoral de 2026.
Flávio citou escândalos que marcaram governos petistas, como o mensalão e o petrolão, e mencionou investigações envolvendo familiares do presidente. Em um dos trechos mais contundentes, afirmou: “Eu aprendi honestidade em casa, sou filho de Bolsonaro, não sou filho do Lula”.
Apesar do ambiente de crítica ao Judiciário por parte de outros oradores, o senador declarou que “o Supremo é fundamental para a democracia”, mas acusou a Corte de agir politicamente contra seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
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Público menor e pauta fragmentada
O ato foi convocado com uma pauta ampla, que incluiu defesa da conversão da prisão de Jair Bolsonaro em domiciliar e críticas ao governo federal. A multiplicidade de temas evidenciou divergências internas sobre o foco da mobilização.
Embora tenham ocorrido manifestações em ao menos 17 cidades, a capital paulista concentrou o maior público. Ainda assim, os números indicam adesão inferior à média de pouco mais de 30 mil participantes registrada em atos da direita na Paulista no ano passado.
A mobilização foi a primeira desde que Flávio foi oficialmente apresentado pelo pai como pré-candidato ao Palácio do Planalto. O discurso deste domingo sinalizou a linha que deve marcar sua campanha: ataques diretos a Lula, defesa do legado bolsonarista e tentativa de ampliar diálogo com setores além da base mais radical.
Com o calendário eleitoral se aproximando, o ato serviu menos como protesto pontual e mais como ensaio de palanque para 2026.
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