Pesquisadores identificaram comportamentos que indicam a presença de ciúmes entre filhotes de babuínos — reação semelhante à observada em crianças humanas. O estudo foi conduzido na Namíbia entre agosto e dezembro de 2021 e analisou interações familiares em grupos selvagens.
A equipe liderada por Axelle Delaunay registrou que, quando uma mãe dedicava cuidados a um filhote, um irmão — geralmente o mais velho — frequentemente tentava interromper a interação. As estratégias variavam: empurrões, mordidas leves, vocalizações e até tentativas de afastar o irmão da mãe.
“Geralmente se pensava que não havia competição real entre irmãos, porque os irmãos e irmãs têm idades diferentes e não necessariamente precisam da mãe e de seus recursos ao mesmo tempo”, explicou Delaunay à Agence France-Presse. Como as fêmeas costumam ter um filhote a cada 18 a 24 meses, os descendentes apresentam diferença etária considerável.
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Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B. Segundo os autores, o padrão de interferência observado nos babuínos é comparável aos comportamentos de rivalidade fraterna documentados em humanos.
A primatóloga Joan Silk, da Universidade Estadual do Arizona, que não participou do estudo, afirmou que o comportamento é coerente com o que se conhece sobre dinâmicas sociais em primatas e destacou a relevância da pesquisa para ampliar a compreensão das relações familiares na espécie.
Os cientistas também constataram que as mães demonstram preferência por determinados filhotes, dedicando-lhes mais cuidado. Esses “favoritos” tornaram-se, justamente, os mais alvo das tentativas de interrupção, reforçando a hipótese de que o comportamento está ligado à disputa por atenção materna.
Com o avanço da idade, os episódios de interferência diminuem. Em cerca de 19% das situações observadas, o filhote conseguiu interromper o cuidado oferecido ao irmão. No entanto, apenas 9% das vezes a mãe redirecionou a atenção ao filho que demonstrou ciúmes.
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Embora ainda seja necessário aprofundar a investigação sobre os mecanismos cognitivos envolvidos, os pesquisadores sugerem que os babuínos apresentam consciência do próprio vínculo com a mãe e do espaço ocupado pelos irmãos — indício de que emoções sociais complexas podem estar mais disseminadas no reino animal do que se imaginava.
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