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quarta-feira, setembro 16, 2026

Vacina experimental contra câncer associado ao HPV mostra resultados animadores em laboratório

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Uma nova estratégia terapêutica para tratar cânceres de cabeça e pescoço ligados ao HPV apresentou resultados promissores em fase pré-clínica. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, indica que a vacina experimental conseguiu estimular o sistema imunológico e reduzir tumores em modelos animais e em amostras humanas analisadas em laboratório.

O papilomavírus humano é responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero e também está associado a tumores na região da garganta. Embora já existam vacinas preventivas eficazes contra a infecção, pacientes que desenvolvem a doença dependem, atualmente, de cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

A proposta do novo imunizante é diferente: em vez de prevenir a infecção, ele busca tratar tumores já instalados. A vacina foi desenvolvida com partículas de DNA organizadas em formato esférico — conhecidas como ácidos nucleicos esféricos — que conseguem penetrar com maior eficiência nas células do sistema imunológico.

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Cada nanopartícula reúne três elementos principais: um núcleo lipídico, um fragmento de proteína do HPV presente nas células tumorais e um adjuvante, substância que intensifica a resposta imune. Segundo os pesquisadores, o diferencial não está na criação de novos componentes, mas na forma como eles foram estruturados.

“Esse efeito não resultou da adição de novos ingredientes ou do aumento da dose. Ele veio da apresentação dos mesmos componentes de forma mais inteligente”, afirmou Jochen Lorch, coautor do estudo e diretor de oncologia clínica do Programa de Câncer de Cabeça e Pescoço da Northwestern Medicine.

Nos testes com camundongos, houve desaceleração no crescimento dos tumores. Já em amostras de tecido tumoral humano, a formulação considerada mais eficaz eliminou de duas a três vezes mais células cancerígenas do que outras versões avaliadas.

Para Chad Mirkin, diretor do Instituto Internacional de Nanotecnologia da Northwestern, a descoberta pode influenciar o desenvolvimento de outras vacinas terapêuticas. “Essa abordagem pode mudar a forma como formulamos vacinas. Talvez tenhamos deixado de lado componentes úteis apenas porque estavam em configurações inadequadas”, declarou.

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Apesar do potencial, os cientistas reforçam que os resultados ainda são preliminares. Ensaios clínicos em humanos serão fundamentais para confirmar a segurança e a eficácia do imunizante antes que ele possa ser incorporado ao tratamento oncológico.

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