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quarta-feira, setembro 16, 2026

Arquivos de Epstein expõem rede de contatos que inclui bilionários, políticos e líderes globais

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A divulgação de milhões de novos documentos relacionados à investigação sobre Jeffrey Epstein voltou a lançar luz sobre a extensa rede de contatos mantida pelo financista e criminoso sexual condenado. O material, tornado público pelo governo dos Estados Unidos no fim de janeiro, reúne e-mails, mensagens, registros financeiros e imagens que mencionam algumas das figuras mais ricas e poderosas do mundo.

O conjunto, conhecido como “arquivos Epstein”, soma cerca de três milhões de páginas, além de milhares de fotos e vídeos. Autoridades reforçam que a simples menção a um nome não implica prática criminosa ou participação nos abusos cometidos por Epstein — ponto reiterado por diversas pessoas citadas nos documentos.

A liberação ocorreu após a entrada em vigor da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada pelo então presidente Donald Trump, que determinou a divulgação integral do material ligado ao caso. Parlamentares democratas e parte dos republicanos, no entanto, afirmam que ainda há documentos retidos pelo governo.

Bilionários e empresários

Entre os nomes mais conhecidos está o de Elon Musk. Os arquivos incluem trocas de e-mails nas quais Epstein discute planos de viagem e eventos, embora Musk afirme nunca ter visitado a ilha particular do financista. Em mensagens de 2012, o empresário fez comentários sobre festas e lazer no Caribe. Posteriormente, declarou que os trechos divulgados poderiam ser usados para “difamar” seu nome, mas defendeu que o foco deveria permanecer nos crimes cometidos por Epstein.

O fundador da Microsoft, Bill Gates, também aparece em e-mails atribuídos a Epstein, alguns deles com acusações explícitas. A defesa de Gates classificou o conteúdo como “absurdo” e “completamente falso”, atribuindo as alegações a um “mentiroso ressentido”.

Richard Branson surge em trocas de mensagens cordiais com Epstein, incluindo convites e comentários informais. O Grupo Virgin afirma que o contato foi esporádico, limitado a ambientes profissionais, e que cessou após diligências internas revelarem acusações graves contra o financista.

O cofundador do Google, Sergey Brin, aparece em registros de visitas e convites para jantares, incluindo menções à ilha de Epstein. Não há indícios de irregularidade associados a essas interações.

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Política, diplomacia e poder institucional

O nome de Donald Trump é citado centenas de vezes, inclusive em listas compiladas pelo FBI com denúncias recebidas por telefone. As alegações não verificadas não resultaram em acusações formais, e Trump afirma ter rompido relações com Epstein décadas antes.

O ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Barak é mencionado em mensagens trocadas após a condenação de Epstein em 2008, incluindo planos de hospedagem. Barak reconheceu os contatos, mas nega qualquer participação em condutas impróprias.

O ex-embaixador britânico Peter Mandelson aparece ligado a registros financeiros e trocas de e-mails. Ele declarou arrependimento por ter mantido contato com Epstein após sua condenação e afirmou nunca ter sido cúmplice de seus crimes.

Já Miroslav Lajčák surge em mensagens de teor informal trocadas com Epstein. Após a divulgação, renunciou ao cargo de conselheiro de segurança nacional da Eslováquia, embora não tenha sido acusado de crime.

Realeza, entretenimento e influência cultural

Fotografias envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor foram incluídas nos arquivos, sem contextualização clara. Ele nega repetidamente qualquer irregularidade.

A ex-esposa do príncipe, Sarah Ferguson, aparece mencionada em e-mails afetuosos atribuídos a Epstein. Não há acusações associadas a essas mensagens.

O estrategista político Steve Bannon surge em mensagens trocadas com Epstein após deixar a Casa Branca, incluindo discussões sobre imagem pública do financista. Bannon não respondeu aos pedidos de comentário e não é acusado de crime.

Também aparecem nomes como o diretor Brett Ratner, o empresário esportivo Steve Tisch e o influenciador Peter Attia, todos citados em comunicações privadas, sem indícios de envolvimento direto em crimes.

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Contexto e cautela

Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto estava sob custódia federal, antes de ser julgado por acusações de tráfico sexual de menores. Sua associada Ghislaine Maxwell cumpre pena de 20 anos por recrutar adolescentes para exploração sexual.

Especialistas e autoridades reforçam que os arquivos expõem padrões de relacionamento e influência, mas não constituem, por si só, prova de ilegalidade. A divulgação, ainda assim, amplia o escrutínio público sobre como figuras de poder circularam em torno de Epstein por anos, mesmo após sua condenação.

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