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quarta-feira, setembro 16, 2026

Descoberta de cientistas chineses desafia teorias tradicionais sobre a origem do ouro

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Pesquisadores chineses conseguiram observar diretamente um processo que, até agora, era tratado mais como hipótese do que como fato comprovado: a formação e o acúmulo de ouro a partir de soluções extremamente diluídas na água. A descoberta ajuda a esclarecer como surgem jazidas auríferas economicamente relevantes mesmo quando o metal está presente em quantidades quase imperceptíveis no ambiente natural.

O trabalho, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, investigou a interação entre a pirita — mineral abundante na crosta terrestre, frequentemente chamado de “ouro dos tolos” — e água contendo traços mínimos de ouro dissolvido. Em muitos cenários geológicos, a concentração do metal é tão baixa que parecia improvável explicar sua acumulação em grandes depósitos.

Ao acompanhar o fenômeno em tempo real, os cientistas identificaram a formação rápida de uma estrutura microscópica na superfície da pirita assim que ela entra em contato com a água. Essa estrutura, descrita como uma “camada líquida densa”, surge em poucos minutos e cria um ambiente altamente favorável à captura de átomos de ouro.

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Mesmo quando a solução continha apenas 10 partes por bilhão do metal, a camada conseguiu atrair e reter o ouro. Cerca de 13 minutos após o início da reação, essa interface já estava completamente estabelecida. Pouco depois, em torno de 20 minutos, começaram a aparecer nanopartículas de ouro dentro da camada, que continuaram a crescer e se multiplicar ao longo do tempo.

O achado é considerado crucial porque a precipitação de ouro associada à pirita é vista como uma etapa-chave na formação de depósitos exploráveis. Até então, a maior parte das pesquisas se baseava na análise de amostras após o término do processo, sem acesso direto ao momento em que o metal efetivamente se formava.

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A observação contínua permitiu demonstrar que o ouro pode se concentrar de forma gradual, a partir de soluções muito diluídas, sem depender exclusivamente de fluidos extremamente quentes e profundos vindos do interior da Terra — um dos pilares das teorias tradicionais sobre a origem das jazidas auríferas.

Com isso, o estudo sugere que grandes reservas de ouro podem resultar de processos lentos, microscópicos e repetitivos, ocorrendo em condições relativamente comuns. Uma mudança de perspectiva que redefine como a ciência entende a formação de um dos metais mais valiosos da história.

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