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quarta-feira, setembro 16, 2026

Morte de ex-agente dos EUA reacende debate sobre a chamada “síndrome de Havana”

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Morreu no dia 25 de janeiro, aos 65 anos, Michael Beck, ex-agente de contrainteligência dos Estados Unidos apontado como o primeiro a associar sintomas neurológicos ao que mais tarde ficaria conhecido como “síndrome de Havana”. Beck passou mal enquanto fazia compras em Columbia, no estado de Maryland, e teve a morte confirmada pela família, que informou que a causa exata ainda não foi determinada.

O nome de Beck ganhou relevância muito antes de o fenômeno entrar no radar diplomático internacional. Em 2005, aos 45 anos, ele foi diagnosticado com Parkinson de início precoce e passou a relacionar a doença, além de déficits cognitivos persistentes, a uma viagem realizada em 1996 a um país que descrevia como “hostil”. Segundo ele, durante a missão teria sido exposto a uma suposta arma de energia direcionada, baseada em micro-ondas de alta potência.

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A hipótese sempre encontrou resistência entre especialistas. Ainda assim, documentos e trechos de relatórios de inteligência divulgados anos depois indicaram que, ao menos em teoria, tecnologias desse tipo poderiam provocar danos neurológicos sem deixar sinais físicos evidentes — possibilidade que manteve o debate aberto dentro de círculos científicos e governamentais.

O caso permaneceu isolado por quase duas décadas. A partir de 2016, no entanto, funcionários diplomáticos e de inteligência dos Estados Unidos lotados em Havana, em Cuba, começaram a relatar sintomas semelhantes, como tontura, zumbido, dores de cabeça e dificuldades de concentração. O conjunto de manifestações passou a ser identificado como Havana Syndrome.

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Entre 2016 e 2018, mais de 200 servidores americanos em missões no exterior relataram quadros parecidos. As ocorrências motivaram investigações conduzidas por comissões científicas e painéis do governo dos EUA, que até hoje não chegaram a uma conclusão definitiva sobre as causas do fenômeno. As hipóteses analisadas variam desde o uso de armas de energia direcionada até fatores ambientais e explicações psicossociais.

Mesmo sem validação científica conclusiva, a trajetória de Beck é vista como emblemática por ter antecipado, anos antes, um debate que só ganharia projeção internacional a partir dos casos em Havana. Ele buscou por décadas o reconhecimento oficial de que sua condição estaria ligada à missão no exterior e chegou a solicitar compensação trabalhista, pedido que foi negado pelo governo americano.

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