A mobilização liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira ganhou um episódio inusitado nesta quarta-feira (21), quando apoiadores realizaram um churrasco às margens da BR-040, no trajeto da chamada “caminhada da liberdade”. A ação contou com a participação do Frigorífico Goiás, conhecido por seu alinhamento público ao bolsonarismo.
Imagens divulgadas nas redes sociais da empresa mostram a distribuição de cortes embalados com a foto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dos produtos exibidos foi a chamada “picanha do mito”, peça de carne que carrega a imagem de Bolsonaro na embalagem. Também apareceram materiais com imagens geradas por inteligência artificial que retratam o senador Flávio Bolsonaro usando faixa presidencial.
Nas publicações, o frigorífico aproveitou a repercussão para convocar seguidores para a manifestação prevista para domingo (25), em Brasília, data marcada para o encerramento da caminhada.
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Apoio logístico e trajeto até Brasília
Além da participação do frigorífico, o empresário fluminense Renato Araújo, apontado como próximo a Bolsonaro, também teria colaborado com a logística do ato. Registros nas redes sociais indicam o envio de suprimentos por helicóptero em parte do percurso, que liga Paracatu (MG) à capital federal.
Iniciada na segunda-feira (19), a caminhada deve ultrapassar 200 quilômetros. Na tarde desta quarta, Nikolas informou ter alcançado 90 quilômetros percorridos, marcando o terceiro dia da mobilização. O deputado afirma que o protesto é uma reação à prisão de Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, e também chama atenção para a situação jurídica de presos relacionados aos ataques de 8 de janeiro.
Histórico de controvérsias do frigorífico
Sediado em Goiânia (GO), o Frigorífico Goiás ganhou notoriedade nacional em 2022 ao promover campanhas explícitas em apoio à reeleição de Bolsonaro, incluindo ações aéreas com mensagens políticas e a venda promocional da “picanha do mito” a R$ 22 o quilo. Durante uma dessas iniciativas, uma mulher de 46 anos morreu após ser prensada contra a porta da loja.
No mesmo período, o estabelecimento foi autuado por irregularidades sanitárias após apreensões realizadas pelo Procon-GO, que encontrou carnes sem identificação de validade e produtos vencidos. Em 2025, a empresa voltou ao centro do debate ao exibir um cartaz com a frase “petista não é bem-vindo”. A Justiça de Goiás determinou a retirada do material, substituído por outro com os dizeres: “Ladrão aqui não é bem-vindo. Quem apoia ladrão também não”.
Às vésperas do último Natal, o frigorífico também promoveu uma ação em Aparecida de Goiânia em que carnes com a imagem de Bolsonaro foram lançadas de helicóptero, ampliando a repercussão negativa em torno da marca.
O episódio mais recente reforça a associação entre a empresa e atos políticos ligados ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que reacende debates sobre limites entre manifestações políticas, ações comerciais e responsabilidade pública em eventos de grande visibilidade.
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