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quarta-feira, setembro 16, 2026

UE e Mercosul selam pacto histórico e formam maior zona de livre comércio do planeta

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A União Europeia e o Mercosul assinaram neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, um acordo de livre comércio considerado histórico. O tratado encerra um quarto de século de negociações e estabelece a maior área integrada de intercâmbio econômico do mundo.

Juntos, os dois blocos passam a conectar cerca de 720 milhões de pessoas e a reunir um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões, o equivalente a aproximadamente 20% da economia global. Mais do que um avanço comercial, o pacto é interpretado como um reposicionamento estratégico diante de um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, barreiras tarifárias e maior protecionismo.

Queda de tarifas e novo equilíbrio comercial

O coração do acordo está na redução — e, em muitos casos, eliminação — de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral. Para os países do Mercosul, isso significa acesso ampliado ao mercado europeu para produtos agropecuários considerados estratégicos, como carne bovina e soja. Do lado europeu, bens industrializados, como máquinas, automóveis e produtos farmacêuticos, tendem a chegar à América do Sul com custos menores.

A expectativa é que o novo fluxo comercial altere a competitividade entre empresas dos dois continentes e estimule investimentos cruzados. O acordo também surge como resposta indireta ao endurecimento das políticas comerciais de potências como Estados Unidos e China, oferecendo uma alternativa de integração baseada em regras comuns.

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Proteções e resistência interna

Para viabilizar a assinatura, a Comissão Europeia incluiu mecanismos de salvaguarda voltados à proteção de agricultores europeus, que há anos manifestam preocupação com a concorrência de produtos sul-americanos. As cláusulas preveem instrumentos de ajuste caso determinados setores enfrentem impactos considerados excessivos.

Ainda assim, o tratado não entra em vigor automaticamente. Ele precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais de todos os países envolvidos, um processo que pode gerar novos debates e resistências internas, especialmente na Europa.

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Cerimônia e contexto político

A assinatura ocorreu no Grande Teatro José Asunción Flores, no Banco Central do Paraguai, e reuniu autoridades de alto escalão. Entre os presentes estava o presidente da Argentina, Javier Milei. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após ter participado de encontros reservados com líderes europeus na véspera.

Se ratificado, o acordo UE–Mercosul não apenas ampliará o comércio entre os blocos, mas também marcará uma mudança relevante no tabuleiro geopolítico global, ao fortalecer alianças econômicas em um momento de crescente fragmentação das relações internacionais.

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