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quarta-feira, setembro 16, 2026

Estudo global desmonta elo entre paracetamol na gestação e autismo infantil

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O uso de paracetamol durante a gravidez não está associado a um aumento no risco de autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual em crianças. Essa é a conclusão de uma ampla revisão científica publicada na revista The Lancet, que analisou décadas de pesquisas e buscou esclarecer uma controvérsia que vinha gerando insegurança entre gestantes e profissionais de saúde.

Considerado o estudo mais robusto já realizado sobre o tema, o trabalho reuniu dados de 43 pesquisas internacionais e aplicou critérios metodológicos mais rigorosos do que os utilizados anteriormente. O diferencial foi separar o efeito do medicamento de outros fatores que costumam distorcer resultados, como predisposição genética, condições de saúde da mãe e o próprio motivo do uso do remédio, como febre ou dor.

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Comparar irmãos foi decisivo

A meta-análise foi conduzida por pesquisadores da City St George’s University of London, que avaliaram informações de centenas de milhares de crianças. Para reduzir vieses, os cientistas recorreram a um método considerado “padrão-ouro” em estudos observacionais: a comparação entre irmãos.

Ao analisar filhos da mesma mãe — em que um foi exposto ao paracetamol durante a gestação e outro não — os pesquisadores conseguiram neutralizar a influência do ambiente familiar e do histórico genético. Com esse controle mais preciso, a suposta ligação entre o medicamento e alterações no neurodesenvolvimento simplesmente não se confirmou.

Os autores apontam que estudos anteriores levantaram suspeitas por limitações importantes, como depender do relato retrospectivo das mães ou não considerar que a própria febre materna pode impactar o desenvolvimento fetal. Quando esses fatores são devidamente ajustados, o paracetamol se mostra neutro em relação ao risco de autismo e TDAH.

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Segurança clínica e combate à desinformação

A publicação do estudo ocorre em meio a um cenário de desinformação crescente. Em 2025, declarações políticas sem respaldo científico nos Estados Unidos sugeriram uma relação direta entre o uso do analgésico e o autismo, provocando apreensão desnecessária entre grávidas.

Especialistas alertam que a suspensão do medicamento sem orientação médica pode ser mais perigosa do que seu uso adequado. Febre não tratada durante a gravidez está associada a riscos comprovados, como aborto espontâneo, parto prematuro e malformações congênitas — consequências muito mais graves para o feto.

Por isso, entidades reguladoras como a Agência Europeia de Medicamentos e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas mantêm o paracetamol como primeira linha de tratamento para dor e febre na gestação.

A conclusão do novo estudo reforça o consenso médico internacional: quando utilizado nas doses recomendadas e com orientação profissional, o paracetamol segue sendo uma opção segura, eficaz e essencial para proteger a saúde da mãe sem comprometer o desenvolvimento da criança.

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