A União Europeia decidiu acionar o G7 como principal espaço de coordenação política diante da nova escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos. A reação ocorre após o presidente Donald Trump anunciar a intenção de aplicar tarifas de 10% a países europeus caso não concordem com a venda da Groenlândia aos EUA.
Autoridades do bloco têm adotado um tom mais duro desde o fim de semana. O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que a Europa não aceitará pressões e já prepara uma resposta conjunta. “Não vamos nos deixar chantagear”, disse, ao indicar que contramedidas estão sendo discutidas com parceiros internacionais.
Na mesma linha, o ministro da Economia da França, Roland Lescure, classificou a ameaça tarifária como “chantagem” e “obviamente inaceitável”. Ele afirmou que os ministros das Finanças do G7 devem se reunir nos próximos dias para alinhar uma reação política e econômica, ressaltando que os europeus precisam estar prontos para usar “todos os instrumentos” disponíveis.
A tensão também levou líderes da União Europeia a convocarem uma cúpula de emergência em Bruxelas ainda nesta semana. Segundo fontes europeias, a Comissão Europeia apresentou aos Estados-membros opções que incluem a reativação de um pacote de retaliação tarifária de 93 bilhões de euros contra produtos norte-americanos, elaborado em disputas comerciais anteriores.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer reforçou que qualquer decisão sobre o futuro da Groenlândia cabe exclusivamente ao povo groenlandês e à Dinamarca. Em coletiva em Londres, Starmer afirmou que o uso de tarifas contra aliados é “completamente errado” e alertou que uma guerra comercial “não é do interesse de ninguém”, embora tenha destacado que Reino Unido e Estados Unidos continuam sendo parceiros próximos.
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A movimentação europeia indica que o tema deve dominar a agenda diplomática dos próximos dias, com o G7 sendo tratado como o principal fórum para conter uma escalada comercial que pode atingir cadeias globais de comércio e aprofundar o desgaste nas relações transatlânticas.
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