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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cansadas da IA, pessoas adotam estilo de vida analógico em 2026

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Em meio à presença constante de assistentes virtuais, algoritmos e ferramentas de Inteligência Artificial no cotidiano, um movimento contrário começa a ganhar força em 2026. Conhecido como estilo de vida analógico, o fenômeno reúne pessoas que buscam desacelerar, reduzir a dependência digital e retomar atividades manuais e experiências físicas como forma de bem-estar e autonomia.

Diferentemente de uma simples “desintoxicação digital”, a proposta não é abandonar totalmente a tecnologia, mas limitar seu papel na vida diária. A ideia central é recuperar práticas em que o corpo, o tempo e o objeto físico voltam a ter protagonismo — do tricô à escrita em papel, do vinil ao uso de câmeras analógicas.

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O crescimento desse movimento já aparece nos números. A rede de artesanato Michaels registrou aumento de 136% nas buscas por “hobbies analógicos” em seu site nos últimos seis meses. Em 2025, as vendas de kits de artesanato com instruções passo a passo cresceram 86%, e a expectativa da empresa é de alta adicional entre 30% e 40% em 2026. Apenas as buscas por kits de tricô dispararam 1.200% no último ano.

Segundo a diretora de merchandising da empresa, Stacey Shively, o artesanato tem sido usado como estratégia de cuidado com a saúde mental e de afastamento do excesso de notícias negativas, especialmente no cenário pós-pandemia. Para ela, o movimento reflete uma mudança cultural mais ampla, impulsionada pelo cansaço da hiperconectividade.

Nas redes sociais, especialmente no TikTok, vídeos sobre rotinas analógicas, “domingos sem tela” e hobbies manuais acumulam milhões de visualizações. Paradoxalmente, é o próprio ambiente digital que tem servido de vitrine para a crítica ao digital.

Uma das vozes que ilustram essa contradição é Shaughnessy Barker, jovem canadense de 25 anos que se define como alguém que “odeia inteligência artificial”. Ela mantém telefone fixo, coleção de fitas cassete, VHS, vinis e organiza encontros de artesanato sem tecnologia. Ainda assim, admite que depende da internet para divulgar sua loja vintage e seu clube de cartas. “Sou um paradoxo ambulante”, resume.

Para a pesquisadora de IA Avriel Epps, professora assistente da Universidade da Califórnia Riverside, o movimento expressa frustração com a repetição e a falta de originalidade do conteúdo gerado por IA. “Não é necessariamente se desconectar da informação, mas desconectar a internet das informações sobre mim”, explica. Epps adota práticas como o “domingo sem telas” como forma de limitar a coleta de dados e o ritmo digital.

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Entre os adeptos, “voltar ao analógico” pode significar trocar playlists algorítmicas por um iPod antigo, reduzir a obsessão por registros fotográficos, escrever diários em papel ou simplesmente usar um despertador físico. Pequenos gestos que devolvem a sensação de controle sobre o próprio tempo.

A tendência também levanta questionamentos: até que ponto o estilo analógico é uma escolha genuína e não mais uma performance incentivada por tendências online? Ainda assim, relatos de quem experimenta esse modo de vida apontam ganhos concretos — mais foco, sensação de realização e vínculos sociais mais diretos.

Em um mundo cada vez mais automatizado, o crescimento do estilo de vida analógico sugere menos rejeição à tecnologia e mais um pedido de equilíbrio. Para muitos jovens, trata-se de recuperar o que a IA não entrega: o tempo lento, o toque, o erro humano — e a experiência de fazer algo apenas pelo prazer de fazer.

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