A inteligência artificial deixou de ser vista apenas como motor de produtividade e inovação e passou a figurar entre os principais fatores de risco para a economia mundial. É o que indica o mais recente Relatório de Riscos Globais divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Fórum Econômico Mundial, que descreve um cenário internacional marcado por instabilidade, baixa previsibilidade e pressões estruturais de longo prazo.
Segundo o estudo, as “consequências adversas das tecnologias de IA” já aparecem entre as cinco maiores ameaças globais para os próximos dez anos. O avanço é significativo: no relatório anterior, o tema ocupava posições periféricas quando se analisavam riscos de curto prazo. Agora, a tecnologia surge como um vetor capaz de aprofundar desigualdades, tensionar mercados de trabalho e gerar impactos sistêmicos ainda difíceis de mensurar.
O levantamento ouviu cerca de 1.300 lideranças de governos, empresas e organizações da sociedade civil. Metade dos entrevistados avalia que o mundo deve enfrentar um período de forte turbulência nos próximos dois anos. Apenas 1% acredita em um ambiente de estabilidade, o que reforça a percepção de que a economia global opera em terreno frágil.
++ Aliados dizem reunir 145 assinaturas por prisão domiciliar de Bolsonaro
No horizonte imediato, o relatório aponta o “confronto geoeconômico” como a principal preocupação para os negócios. A intensificação de disputas entre grandes potências, combinada ao uso estratégico de tarifas, sanções, regulações e restrições em cadeias produtivas, pode provocar retração do comércio internacional e aumentar o risco de choques econômicos.
As ameaças econômicas, inclusive, foram a categoria que mais cresceu em relevância em relação ao relatório anterior. Recessão, inflação persistente, bolhas financeiras e alto endividamento público aparecem como fatores que ampliam a vulnerabilidade dos mercados. Logo atrás, desinformação e polarização social figuram como riscos centrais no curto prazo.
Para Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum Econômico Mundial, os conflitos armados entre Estados e seus desdobramentos estão no centro das apreensões globais. Em entrevista à CNBC, ela afirmou que quase um terço dos participantes do estudo demonstra forte preocupação com os efeitos desse ambiente sobre a economia e a estabilidade internacional até 2026.
Quando o olhar se desloca para a próxima década, o relatório coloca os eventos climáticos extremos no topo da lista de riscos, seguidos pela perda de biodiversidade, colapso de ecossistemas, alterações críticas nos sistemas terrestres e desinformação. A inteligência artificial surge logo em seguida, consolidando-se como um dos eixos centrais de incerteza estrutural.
++ Justiça enquadra envio de comprovante falso de Pix como estelionato eletrônico
O documento alerta que a automação acelerada e o deslocamento de trabalhadores podem ampliar a desigualdade de renda, reduzir o consumo e alimentar ciclos de instabilidade econômica e insatisfação social, mesmo em um contexto de ganhos de produtividade. Há ainda preocupação com a convergência entre aprendizado de máquina e computação quântica, que, segundo o relatório, pode gerar “situações em que os humanos perdem o controle” sobre sistemas tecnológicos cada vez mais complexos.
Nas conclusões, Zahidi ressalta que, embora guerras, inflação e desinformação dominem o debate imediato, os riscos climáticos e tecnológicos permanecem como ameaças estruturais. Para ela, o maior obstáculo está na perda de capacidade coletiva e de vontade política para agir de forma coordenada. Sem isso, eventos extremos — como ondas de calor, secas prolongadas e incêndios florestais — tendem a se tornar mais frequentes e intensos.
O relatório defende que apenas alianças amplas entre governos, empresas, universidades e sociedade civil serão capazes de enfrentar os desafios globais que se acumulam no horizonte.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



