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quarta-feira, setembro 16, 2026

“Kill switch” digital: como o Irã conseguiu reduzir a internet do país a 1% durante os protestos

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O Irã colocou em prática, a partir de 8 de janeiro de 2026, um dos apagões de internet mais abrangentes já registrados no país, derrubando a conectividade nacional para cerca de 1% do padrão normal. A medida, adotada em meio a uma nova onda de protestos, não se limitou a “desacelerar” a rede: o bloqueio atingiu o acesso externo e também comprometeu serviços que, em episódios anteriores, costumavam permanecer funcionando internamente.

O que foi diferente desta vez

Em apagões anteriores, autoridades iranianas costumavam “fechar as portas” para a internet global e manter parte da Rede Nacional de Informação (uma espécie de intranet doméstica) ativa para serviços internos. Desta vez, relatos e análises indicam um corte muito mais amplo, com efeitos sobre comunicações e sistemas essenciais.

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Como se derruba a internet de um país

Pelo que monitoramentos técnicos e reportagens vêm descrevendo, o “desligamento” não depende de um botão único, mas de uma combinação de controles sobre a infraestrutura e os provedores:

  • Bloqueio de rotas e conexões internacionais: ao restringir ou retirar anúncios de rotas (na prática, “desconectando” o país de pontos de troca e do tráfego internacional), a navegação externa praticamente desaparece e sites ficam inacessíveis.
  • Interrupção e filtragem nas redes móveis: como grande parte do acesso passa por operadoras, limitar o tráfego em 3G/4G/5G derruba o uso no dia a dia e dificulta comunicação rápida entre cidades e bairros.
  • Controle “cirúrgico” por regiões: especialistas apontam que o regime consegue apertar ou aliviar restrições conforme o local e a intensidade das manifestações, criando uma “torneira digital” ajustável.

Por que VPN não resolve quando o corte é total

VPNs ajudam a contornar bloqueios quando existe tráfego de internet para “encapsular” e desviar. Num cenário de apagão amplo — com rotas cortadas e redes fora do ar — elas deixam de funcionar porque simplesmente não há conectividade suficiente para chegar ao servidor da VPN.

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O novo alvo: internet via satélite

Outro ponto que chamou atenção foi o esforço para limitar o uso de internet via satélite, em especial o Starlink, que em outras crises serviu como alternativa para alguns grupos manterem contato com o exterior. Reportagens descrevem tentativas de interferência (jamming) para degradar ou derrubar esse tipo de conexão, além de operações para localizar terminais.

A pressão sobre sinais de satélite também entrou no radar internacional: há registros de discussões e pedidos formais no âmbito da União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre interferências e uso de terminais em território iraniano.

Impacto imediato: silêncio informativo e travas na rotina

Além do efeito político (reduzir a coordenação e a circulação de informações), apagões desse porte tendem a travar pagamentos, bancos, atendimento e logística — e ampliam a incerteza sobre o que acontece no país, já que a verificação independente fica muito mais difícil quando a rede cai.

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