O terceiro ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado por uma equação delicada: transformar promessas em resultados enquanto administrava crises políticas internas e um conflito comercial internacional de grandes proporções. Batizado pelo próprio governo como “ano da colheita”, 2025 terminou com avanços concretos em áreas sociais e econômicas, mas também com desgaste institucional e foco crescente na construção do caminho para a reeleição.
Logo em janeiro, Lula cobrou desempenho de seus ministros e sinalizou que o período de formulação ficaria para trás. Ao longo do ano, parte dessa expectativa se traduziu em políticas entregues, mas o Planalto precisou lidar com um Congresso menos previsível e com pressões externas que testaram a capacidade de articulação do governo.
Reforma do time e ajuste de rota
Foi também o ano com mais mudanças no primeiro escalão desde o início do mandato. O presidente promoveu oito trocas ministeriais, em movimentos que misturaram reação a crises e cálculo político. Uma das alterações mais simbólicas ocorreu na Secretaria de Comunicação Social, com a saída de Paulo Pimenta e a entrada do marqueteiro Sidônio Palmeira, em uma tentativa de reposicionar a imagem do governo e ampliar sua presença digital.
Pastas estratégicas também passaram por reformulações. No Ministério da Saúde, Alexandre Padilha assumiu o lugar de Nísia Trindade com a missão de dar novo fôlego a programas considerados centrais para o discurso eleitoral. Já na articulação política, a chegada de Gleisi Hoffmann à Secretaria de Relações Institucionais buscou fortalecer a ponte com o Legislativo. Na Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos assumiu em um gesto de aproximação com movimentos sociais.
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Promessas destravadas
Apesar das turbulências, o governo conseguiu cumprir compromissos relevantes de campanha. Um dos principais foi a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, medida que passa a valer em 2026 e é vista por aliados como um ativo eleitoral importante. A nova legislação também prevê descontos graduais para rendas intermediárias e maior tributação sobre os chamados super-ricos.
Na área social, o Executivo antecipou uma meta simbólica: a saída do Brasil do Mapa da Fome. O resultado foi anunciado em julho, cinco anos antes do prazo inicialmente previsto, com base em dados da FAO, que indicaram queda do país abaixo do patamar de 2,5% da população em situação de subnutrição.
Tarifaço e diplomacia em teste
O segundo semestre foi dominado pela crise provocada pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras. Sob o argumento de suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, os Estados Unidos anunciaram sobretaxas de 40% e sanções contra autoridades brasileiras, incluindo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A tensão só começou a arrefecer após encontros diretos entre Lula e Trump nos bastidores da Assembleia Geral da ONU e, posteriormente, em uma reunião presencial na Ásia. O recuo parcial veio em novembro, com a retirada das tarifas sobre mais de 200 produtos, seguido, em dezembro, pela revogação das sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. Ainda assim, parte das exportações brasileiras segue sujeita a sobretaxas.
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Congresso como foco de atrito
Se no plano externo o governo conseguiu conter danos, no cenário doméstico a relação com o Congresso permaneceu instável. O episódio mais emblemático ocorreu em junho, quando parlamentares derrubaram o decreto presidencial que elevava o IOF — algo que não acontecia havia mais de três décadas.
No fim do ano, novos atritos surgiram na Câmara e no Senado, envolvendo a tramitação de projetos sensíveis ao Planalto e disputas por indicações ao Supremo. Mesmo diante das tensões, Lula adotou um discurso público conciliador, evitando ataques diretos e reforçando a disposição para o diálogo institucional.
Brasil no centro da agenda global
A política externa seguiu como uma vitrine do governo em 2025. O país presidiu o Brics, sediou a COP30 em Belém e comandou o Mercosul. Os encontros reforçaram o protagonismo internacional do Brasil, embora acordos estratégicos, como o tratado de livre comércio com a União Europeia, tenham sido novamente adiados.
Ao final de 2025, o governo Lula chega a 2026 com um balanço ambíguo: entregas relevantes no papel, crises administradas no limite e um cenário político que deixa claro que o último ano do mandato será decisivo — não apenas para consolidar políticas, mas para definir o futuro eleitoral do presidente.
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