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quarta-feira, setembro 16, 2026

CEO assume falha em lançamento de foguete no Brasil e promete apuração transparente

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O presidente-executivo da empresa sul-coreana Innospace, Kim Soo-jon, divulgou uma carta pública pedindo desculpas pela falha registrada no lançamento do foguete HANBIT-Nano, ocorrido no Maranhão. O episódio interrompeu a missão que marcaria o primeiro lançamento comercial de um foguete a partir do território brasileiro.

Segundo a empresa, uma anomalia foi identificada cerca de 30 segundos após a decolagem, o que levou à decisão de realizar a queda controlada do veículo dentro da área previamente definida como zona de segurança terrestre. O lançamento havia ocorrido às 22h13 da segunda-feira (22/12), a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no âmbito da missão Spaceward.

Na mensagem, Kim Soo-jon destacou que não houve vítimas nem danos materiais fora da área isolada. “Não houve qualquer dano a pessoas, embarcações, instalações terrestres ou outros bens externos. Todos os procedimentos e controles de segurança do lançamento foram executados conforme projetado, dentro do sistema de segurança estabelecido de acordo com os padrões internacionais, incluindo os órgãos aeronáuticos brasileiros”, afirmou.

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Durante a transmissão ao vivo do lançamento, o público acompanhou a trajetória do foguete por pouco mais de um minuto. As imagens mostraram o veículo ultrapassando a velocidade do som e alcançando o ponto de máxima pressão aerodinâmica, conhecido como MAX Q. Logo depois, uma mensagem alertou para a anomalia detectada durante o voo, e o sinal foi interrompido.

O CEO da Innospace afirmou que a empresa ainda não trabalha com hipóteses definitivas sobre a causa do incidente. “Neste momento, não estamos tirando conclusões precipitadas sobre causas específicas, mas focados em verificar objetivamente os fenômenos observados no ambiente real de voo e validá-los de forma sistemática. Os resultados da análise serão compartilhados de maneira transparente assim que forem consolidados”, declarou.

Após a explosão, equipes da Força Aérea Brasileira e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para inspecionar os destroços e a área de impacto, localizada em região próxima à comunidade de Basse. O voo não era tripulado e transportava experimentos científicos e dispositivos tecnológicos desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia.

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O HANBIT-Nano possui 21,9 metros de altura, cerca de 20 toneladas e diâmetro de 1,4 metro, com capacidade para atingir velocidades superiores a 30 mil quilômetros por hora — o equivalente a um edifício de sete andares em tamanho. A missão previa inicialmente a colocação em órbita de pequenos satélites e equipamentos de pesquisa.

O projeto envolveu cooperação entre a Innospace, a Força Aérea Brasileira e a Agência Espacial Brasileira. Segundo a AEB, o contrato firmado com a empresa sul-coreana não previa lucro comercial significativo, apenas uma retribuição mínima pelos serviços prestados.

Localizado no litoral do Maranhão e construído na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara é considerado estratégico por sua proximidade com a Linha do Equador, característica que reduz o consumo de combustível em lançamentos espaciais. Apesar do potencial, a base enfrentou décadas de subutilização, marcadas por um grave acidente no início dos anos 2000 e por disputas fundiárias envolvendo comunidades quilombolas da região.

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