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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cometa pode ter sido a verdadeira “Estrela de Belém”, sugere cientista da Nasa

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O enigma em torno da Estrela de Belém, um dos símbolos mais conhecidos do Natal, voltou ao centro do debate científico. Um estudo recente liderado por Mark Matney, cientista planetário da Nasa, levanta a hipótese de que o fenômeno descrito na Bíblia não tenha sido uma estrela propriamente dita, mas um cometa com um comportamento visual incomum.

O episódio aparece no Evangelho de Mateus, único texto bíblico que menciona o fenômeno celeste. No relato, os Três Reis Magos afirmam: “Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. O texto acrescenta ainda que o astro teria guiado os Magos até Belém e, em determinado momento, “se deteve sobre o lugar onde estava o menino”, característica que sempre intrigou astrônomos e historiadores.

Durante décadas, a explicação mais aceita pela ciência foi a de uma conjunção planetária — especialmente entre Júpiter e Saturno — que teria produzido um brilho excepcional no céu. No entanto, Matney propõe um cenário diferente. Em artigo publicado no Journal of the British Astronomical Association, em 3 de dezembro, ele sugere que a chamada Estrela de Belém pode ter sido um cometa originário da Nuvem de Oort, região localizada nos limites do Sistema Solar.

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“Este é o primeiro candidato astronômico para a estrela já identificado, que poderia ter tido um movimento aparente correspondente à descrição de Mateus, onde a estrela ‘guiou’ os Magos em sua jornada para Belém até ‘parar’ sobre o local onde estava o Menino Jesus”, afirma o pesquisador.

A hipótese se apoia em registros históricos chineses que descrevem o aparecimento de um cometa por volta do ano 5 a.C., período compatível com estimativas do nascimento de Jesus. Segundo Matney, se esse corpo celeste tivesse passado extremamente próximo da Terra — a uma distância comparável à da Lua — poderia ter criado a ilusão óptica de permanecer imóvel no céu por algumas horas.

“Se um objeto interplanetário passasse perto da Terra na velocidade, direção, distância, posição e momento certos, seria possível que seu movimento coincidisse temporariamente com a velocidade de rotação da Terra e a contrabalançasse”, explica. Nessas condições, completa o cientista, “tal objeto poderia parecer ‘parar’ temporariamente exatamente sobre uma localização geográfica específica”.

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Apesar do interesse gerado, a teoria não é consenso. Os mesmos registros chineses indicam que o cometa teria permanecido na mesma constelação por cerca de 70 dias, um comportamento considerado atípico para esse tipo de corpo celeste. Para o astrofísico Ralph Neuhäuser, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha, documentos tão antigos precisam ser interpretados com cautela. “Em geral, quanto mais antigo o registro, menos informações são preservadas”, pondera.

O próprio Matney reconhece as limitações da proposta e afirma que seriam necessárias novas evidências para sustentar a ideia. Ainda assim, especialistas avaliam que o estudo tem valor ao reabrir a discussão sob uma nova perspectiva. “Tenho certeza de que este artigo não será a palavra final sobre a Estrela de Belém, mas parece ser uma contribuição valiosa para a astronomia forense”, afirmou Frederick Walter, astrônomo da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos.

Mais de dois mil anos depois, a Estrela de Belém segue desafiando a ciência — e mostrando que fé, história e astronomia continuam entrelaçadas quando o assunto é a origem de um dos relatos mais emblemáticos do cristianismo.

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