O australiano Naveed Akram, de 24 anos, voltou a ter consciência após quase dois dias em coma e agora responderá formalmente por uma série de crimes ligados ao atentado terrorista que chocou Sydney no último fim de semana. O ataque ocorreu na praia de Bondi, durante a celebração do festival judaico de Hanukkah, e deixou 15 pessoas mortas, além de dezenas de feridos.
Akram foi baleado pela polícia durante a ação e permaneceu internado em estado grave até acordar na terça-feira (16). Com a melhora do quadro clínico, as autoridades avançaram com a responsabilização criminal do suspeito, que foi indiciado por 59 crimes. Entre as acusações estão ato de terrorismo, 15 homicídios, 40 casos de lesão corporal dolosa, tentativa de explosão de bomba, disparos com intenção de causar ferimentos graves e exibição pública de símbolo terrorista.
O atentado foi cometido em conjunto com o pai de Naveed, Sajid Akram, de 62 anos, cidadão indiano que imigrou para a Austrália em 1998. Sajid morreu no local do ataque, no domingo (14), após confronto com as forças de segurança.
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Segundo a polícia de Nova Gales do Sul, a investigação aponta que pai e filho agiram motivados por uma “ideologia do Estado Islâmico”. As autoridades informaram que Naveed já havia sido monitorado pela Organização Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO) desde 2019, por suspeitas de ligação com grupos extremistas. Na época, no entanto, não houve confirmação suficiente para uma detenção.
Caso seja condenado pelas acusações mais graves, como terrorismo e homicídio, Naveed Akram pode receber pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, conforme prevê a legislação australiana.
Enquanto o país ainda tenta processar a dimensão da tragédia, a Austrália segue em luto. Os enterros das 15 vítimas fatais começaram na terça-feira (16) e estão sendo concluídos nesta quarta (17).
O ataque também revelou histórias de coragem que marcaram o episódio. Imagens que circularam nas redes sociais mostram civis tentando conter os atiradores. Um deles é Ahmed al Ahmed, muçulmano de 43 anos e vendedor de frutas na região, que conseguiu desarmar um dos suspeitos mesmo após ser atingido por dois tiros. Ele passou por cirurgia e permanece internado, com estado de saúde estável. Desde o atentado, sua família já recebeu milhões em doações.
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Outro ato de bravura foi protagonizado por Reuven Morrison, de 62 anos, que tentou impedir o avanço dos atiradores arremessando objetos contra eles. Morrison acabou sendo baleado e morreu no local. Imigrante ucraniano e sobrevivente do Holocausto, ele havia retornado à praia de Bondi para celebrar o Hanukkah ao lado da esposa e amigos, décadas depois de ter conhecido a companheira no mesmo local.
As investigações sobre o atentado seguem em andamento, enquanto a recuperação do atirador sobrevivente marca o início de uma longa etapa judicial em um dos episódios mais violentos da história recente da Austrália.
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