Um cão policial transformou uma operação rotineira de busca em Blumenau (SC) na chave para desmontar um dos maiores carregamentos de cocaína já encontrados no Vale do Itajaí. O farejador, pertencente à Polícia Militar, indicou o ponto crucial que levou agentes federais a um bunker subterrâneo onde estavam ocultos 613 quilos da droga, avaliados em R$ 126 milhões e destinados ao mercado europeu.
A descoberta ocorreu na terça-feira (2/12), após quase 12 horas de escavações no galpão de uma empresa que se apresentava como fabricante de peças de alumínio. A prisão do principal suspeito — um morador da área nobre de Florianópolis — só foi divulgada dois dias depois, quando a PF confirmou o desmonte da estrutura criminosa.
A busca que parecia ter chegado ao fim — até o cachorro entrar
Os agentes trabalhavam há meses com a hipótese de que o entorpecente havia sido enterrado no terreno. Diversas escavações foram feitas dentro e fora do prédio, sem sucesso.
Quando o esgotamento parecia próximo, o cão da PM sentou diante de um tubo de PVC que emergia do piso e se conectava ao jardim — comportamento que chamou a atenção dos policiais. A partir dali, a equipe passou a reexaminar o galpão centímetro por centímetro.
Poucas marretadas em blocos de concreto posicionados sobre grandes galões de combustível revelaram o que ninguém esperava: uma sala abaixo do piso, construída com reboco, pintura iniciada e espaço suficiente para abrigar quatro pessoas em pé. Ali estavam os fardos de cocaína.
O tubo indicado pelo cachorro integrava o sistema de ventilação criado para o bunker.
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A investigação que começou com um alerta internacional
A operação teve origem cerca de seis meses antes, quando autoridades britânicas avisaram que um residente da Inglaterra havia viajado a Santa Catarina e estava no radar de agências internacionais.
Assim que desembarcou em Florianópolis, ele foi recebido por um brasileiro conhecido por envolvimento em assaltos a caixas eletrônicos — hoje dono de um patrimônio estimado em R$ 38 milhões. Ambos passaram a ser monitorados.
A PF observou que a dupla frequentava o galpão em Blumenau desde o fim de 2022. A suposta fábrica de alumínio, porém, tinha movimento incompatível com uma linha de produção: apenas um funcionário circulava regularmente no local.
A estratégia para exportar cocaína misturada a peças de alumínio
Durante uma das diligências, agentes interceptaram uma carga da empresa no porto de Itajaí, mas nada de ilícito foi encontrado.
As revelações desta semana explicaram por quê. O funcionário que manipulava o alumínio testava técnicas para inserir a cocaína dentro das peças, sem que isso fosse percebido pelos scanners portuários.
Segundo a PF, ele admitiu que planejava enviar a próxima remessa preenchida com areia como teste para avaliar a fiscalização. Estruturas metálicas em formato de caixa, encontradas na empresa, indicam que o grupo já preparava um novo envio.
A cocaína apreendida teria sido transportada até o galpão nas laterais de um caminhão. Em determinado momento, quando o veículo entrou e a porta foi fechada — algo incomum na rotina da empresa — os investigadores concluíram que se tratava da chegada da droga.
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Apreensões e próximos passos
Na capital catarinense, carros de luxo, joias e uma casa na Lagoa da Conceição foram apreendidos com um dos investigados.
O inglês que motivou o início da investigação ainda não foi localizado.
A PF afirma que a droga seria preparada no bunker, inserida nas peças de alumínio e enviada por navio à Europa — plano frustrado graças ao faro certeiro do cão policial.
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