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quarta-feira, setembro 16, 2026

Gripe aviária acende alerta global, e mutações do vírus H5 poderiam causar pandemia mais grave que a Covid, diz pesquisadora

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A circulação contínua da gripe aviária entre aves silvestres, criações domésticas e alguns mamíferos voltou a preocupar pesquisadores internacionais. Especialistas do Instituto Pasteur, na França, afirmam que eventuais mutações do vírus H5 — responsável por surtos recentes — poderiam torná-lo capaz de se espalhar entre humanos, cenário que, segundo eles, teria potencial para superar a gravidade da pandemia de Covid-19.

Hoje, as infecções humanas continuam sendo raras e geralmente resultam de contato direto com animais contaminados. Mas cientistas avaliam que o comportamento do vírus merece atenção. “Uma pandemia de gripe aviária provavelmente seria bastante grave, potencialmente até mais grave do que a pandemia que vivenciamos”, afirma Marie-Anne Rameix-Welti, chefe do centro de infecções respiratórias do Instituto Pasteur, em entrevista à Reuters.

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O que se sabe sobre a gripe aviária

A influenza aviária é altamente contagiosa entre aves e pode atingir tanto espécies silvestres quanto galinhas e perus criados em granjas. Humanos também podem ser infectados, mas o risco atual é baixo e não há transmissão sustentada entre pessoas.

Nas aves, os principais sinais incluem dificuldades respiratórias, secreções nasais e oculares, espirros, torcicolo, desorientação e alta mortalidade. Suspeitas devem ser notificadas imediatamente aos órgãos de defesa agropecuária.

A preocupação dos pesquisadores está no histórico recente: centenas de milhões de aves foram abatidas em surtos ao redor do mundo, afetando cadeias de abastecimento e elevando preços. Além disso, parte da população mundial não possui anticorpos contra a variante H5, o que abre espaço para quadros mais graves caso a transmissão entre humanos venha a ocorrer.

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Letalidade e novos casos

Desde 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou quase mil infecções humanas por H5, com letalidade média de 48%. Esses casos, no entanto, envolvem principalmente pessoas expostas a aves doentes. Neste mês, os Estados Unidos confirmaram a primeira infecção humana por H5N5, em Washington; o paciente, que possuía outras doenças, morreu dias depois.

Apesar das estatísticas, especialistas ressaltam que o risco imediato de uma pandemia é baixo. “Precisamos estar preparados para responder rapidamente, mas o risco atual é muito baixo”, afirma Gregorio Torres, da Organização Mundial de Saúde Animal, que reforça que o consumo de frango e ovos continua seguro.

O que já existe para prevenir um avanço maior

As equipes de pesquisa afirmam que, diferentemente do início da Covid-19, hoje há ferramentas prontas para agir com rapidez caso o vírus sofra mutações relevantes. Vacinas candidatas contra o H5 já foram desenvolvidas e tecnologias de produção acelerada estão consolidadas. Antivirais eficazes também estão estocados.

O consenso entre cientistas é de que o cenário exige vigilância rigorosa, mas não alarmismo. O vírus segue limitado majoritariamente ao ambiente animal, e o salto evolutivo necessário para causar uma pandemia humana ainda não aconteceu. Por isso, a prioridade é reforçar sistemas de monitoramento e manter capacidade de resposta caso mudanças preocupantes surjam.

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