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quarta-feira, setembro 16, 2026

Molécula inédita descoberta por acaso pode inaugurar nova geração de antibióticos

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Uma descoberta feita quase por acidente pode renovar a esperança na busca por antibióticos eficazes contra infecções resistentes. Pesquisadores identificaram uma molécula totalmente inédita, com forte atividade contra superbactérias como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e Enterococcus faecium.

O achado, apresentado em artigo publicado em 27 de outubro no Journal of the American Chemical Society, recebeu o nome de pré-metilenomicina C lactona e, segundo os cientistas Lona Alkhalaf e Greg Challis, “pode ser considerada o primeiro composto de uma nova classe de antibióticos”.

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Um resultado que ninguém estava procurando

A descoberta surgiu enquanto os pesquisadores investigavam como o antibiótico metilenomicina A é produzido pela bactéria do solo Streptomyces coelicolor. Ao desativar genes específicos para observar cada etapa da rota biossintética, o grupo encontrou moléculas intermediárias que nunca haviam sido registradas.

Entre elas estavam duas substâncias inéditas: pré-metilenomicina C e pré-metilenomicina C lactona, esta última demonstrando atividade particularmente promissora contra bactérias multirresistentes.

Segundo os autores, o novo composto chegou a ser 100 vezes mais eficaz que o antibiótico original em testes laboratoriais — e, ainda mais importante, não induziu resistência bacteriana durante os experimentos.

Por que isso importa?

A resistência antimicrobiana é hoje uma das maiores ameaças à saúde global. Muitos antibióticos tradicionais estão perdendo eficácia, enquanto novas opções médicas são raras. Por isso, um composto com ação forte e sem sinais imediatos de induzir resistência representa um avanço significativo.

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Desafios até virar tratamento

Especialistas externos, como o químico medicinal Stephen Cochrane, alertam que ainda há um longo caminho entre uma molécula promissora e um medicamento seguro. Será necessário demonstrar que o composto é estável dentro do organismo, funciona por tempo suficiente, não é tóxico e não desencadeia resistência com o uso prolongado.

Os pesquisadores já iniciaram a próxima etapa: desenvolver uma rota de síntese química que permita produzir a molécula em laboratório sem depender da bactéria que a originou. Em parceria com David Lupton, da Monash University, o objetivo é fabricar quantidades maiores para testar seus efeitos em células humanas e em modelos mais complexos.

Embora ainda distante da aplicação clínica, a descoberta abre as portas para uma nova linha de pesquisa — e sinaliza que, mesmo em investigações que não buscam novos medicamentos, pode haver caminhos inesperados para enfrentar algumas das infecções mais difíceis da atualidade.

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