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quarta-feira, setembro 16, 2026

Por que os zangões “explodem” ao acasalar — e como o calor tem agravado o fenômeno

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Pode parecer lenda, mas é fato científico: os zangões, machos das abelhas, literalmente “explodem” ao acasalar. O fenômeno ocorre durante o chamado voo nupcial — o momento em que a abelha-rainha deixa a colmeia para se reproduzir. A tragédia natural faz parte do ciclo de vida da espécie e, segundo os cientistas, é um dos rituais mais dramáticos do reino animal.

Um voo que termina em morte

Quando atinge a maturidade sexual, a rainha libera feromônios que atraem dezenas de zangões. Em pleno ar, os machos competem pela oportunidade de acasalar. O vencedor insere o endofalo (o órgão reprodutor masculino) na rainha com tamanha força que o som da cópula pode ser ouvido por humanos.

A pressão é tão intensa que o endofalo se inverte e é ejetado do corpo do zangão, levando consigo parte de seus tecidos internos. O macho morre imediatamente após a ejaculação — um verdadeiro caso de “morrer de amor”. A rainha, no entanto, prossegue o voo e pode acasalar com mais de uma dúzia de parceiros antes de retornar à colmeia.

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A anatomia por trás da “explosão”

O endofalo do zangão é mantido invertido dentro do corpo, e só é expelido por uma contração extrema do abdômen que utiliza grande parte da hemolinfa, o fluido vital dos insetos. O esforço provoca uma ruptura interna irreversível. “O interior do órgão se torna o exterior, e essa inversão é fatal”, explica Jamie Ellis, professor de entomologia da Universidade da Flórida.

Calor extremo também pode matar

Pesquisadores da Universidade de British Columbia descobriram que ondas de calor podem provocar o mesmo efeito de forma espontânea — mesmo sem acasalamento. A exposição a temperaturas muito altas causa ejaculação involuntária e morte súbita dos zangões.

De acordo com o estudo, em torno de 40 °C, os machos entram em convulsão e projetam o endofalo para fora do corpo. Metade deles morre em poucas horas, o que preocupa os cientistas diante do aumento das temperaturas globais.

A pesquisadora Alison McAfee, do laboratório Michael Smith, explica que a ejaculação pode ocorrer em situações de estresse térmico extremo, embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos.

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Tentativas de salvar os zangões

Para evitar as mortes causadas pelo calor, pesquisadores e apicultores estão testando soluções como revestimentos térmicos de poliestireno e alimentadores resfriados com xarope de açúcar, que ajudam as abelhas a manter a colmeia em temperatura segura.

Mesmo com o destino trágico dos machos, o sacrifício dos zangões é essencial para a continuidade da colônia — e revela o quão complexa (e brutal) pode ser a engenharia biológica da reprodução no mundo das abelhas.

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