Pode parecer lenda, mas é fato científico: os zangões, machos das abelhas, literalmente “explodem” ao acasalar. O fenômeno ocorre durante o chamado voo nupcial — o momento em que a abelha-rainha deixa a colmeia para se reproduzir. A tragédia natural faz parte do ciclo de vida da espécie e, segundo os cientistas, é um dos rituais mais dramáticos do reino animal.
Um voo que termina em morte
Quando atinge a maturidade sexual, a rainha libera feromônios que atraem dezenas de zangões. Em pleno ar, os machos competem pela oportunidade de acasalar. O vencedor insere o endofalo (o órgão reprodutor masculino) na rainha com tamanha força que o som da cópula pode ser ouvido por humanos.
A pressão é tão intensa que o endofalo se inverte e é ejetado do corpo do zangão, levando consigo parte de seus tecidos internos. O macho morre imediatamente após a ejaculação — um verdadeiro caso de “morrer de amor”. A rainha, no entanto, prossegue o voo e pode acasalar com mais de uma dúzia de parceiros antes de retornar à colmeia.
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A anatomia por trás da “explosão”
O endofalo do zangão é mantido invertido dentro do corpo, e só é expelido por uma contração extrema do abdômen que utiliza grande parte da hemolinfa, o fluido vital dos insetos. O esforço provoca uma ruptura interna irreversível. “O interior do órgão se torna o exterior, e essa inversão é fatal”, explica Jamie Ellis, professor de entomologia da Universidade da Flórida.
Calor extremo também pode matar
Pesquisadores da Universidade de British Columbia descobriram que ondas de calor podem provocar o mesmo efeito de forma espontânea — mesmo sem acasalamento. A exposição a temperaturas muito altas causa ejaculação involuntária e morte súbita dos zangões.
De acordo com o estudo, em torno de 40 °C, os machos entram em convulsão e projetam o endofalo para fora do corpo. Metade deles morre em poucas horas, o que preocupa os cientistas diante do aumento das temperaturas globais.
A pesquisadora Alison McAfee, do laboratório Michael Smith, explica que a ejaculação pode ocorrer em situações de estresse térmico extremo, embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos.
Tentativas de salvar os zangões
Para evitar as mortes causadas pelo calor, pesquisadores e apicultores estão testando soluções como revestimentos térmicos de poliestireno e alimentadores resfriados com xarope de açúcar, que ajudam as abelhas a manter a colmeia em temperatura segura.
Mesmo com o destino trágico dos machos, o sacrifício dos zangões é essencial para a continuidade da colônia — e revela o quão complexa (e brutal) pode ser a engenharia biológica da reprodução no mundo das abelhas.
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