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quarta-feira, setembro 16, 2026

Empresas enfrentam onda de fraudes com recibos falsos criados por inteligência artificial

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A revolução da inteligência artificial (IA) está mudando o mundo corporativo — e, junto com as oportunidades, surgem novas formas de fraude. De acordo com uma reportagem do The New York Times, funcionários de empresas em todo o mundo estão usando ferramentas de IA, como ChatGPT e Gemini, para criar recibos falsos em relatórios de despesas, enganando os sistemas de auditoria internos.

O problema cresceu a tal ponto que companhias especializadas em controle financeiro, como a AppZen e a SAP Concur, estão atualizando seus sistemas para detectar documentos gerados artificialmente. Segundo a AppZen, 30% dos recibos fraudulentos identificados atualmente são criados por IA, e o número total de tentativas de fraude aumentou 30% desde maio de 2024.

“Os recibos gerados por IA só vão melhorar a partir de agora. Para combater a IA fraudulenta, precisamos também usar a inteligência artificial”, explicou Nicolas Ritz, desenvolvedor da empresa de software corporativo Navan.

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Golpe antigo, com uma nova face digital

O CEO da AppZen, Anant Kale, contou que percebeu a tendência após ver tutoriais nas redes sociais ensinando a criar notas fiscais falsas com IA generativa. A prática revive um tipo de fraude antiga — adulterar relatórios de viagem, hospedagem ou alimentação —, mas com ferramentas modernas capazes de gerar imagens realistas e convincentes.

Casos analisados pela AppZen revelaram recibos de hotéis e voos de cidades onde os funcionários nunca estiveram, e até repetições sutis de nomes e pratos em restaurantes, indícios típicos de conteúdo gerado por chatbot.

IA contra IA: a nova corrida das auditorias

Para conter o problema, as empresas estão usando a própria IA como arma de defesa, criando sistemas de verificação automatizada que comparam recibos suspeitos com versões autênticas do mesmo fornecedor.

Os algoritmos analisam padrões gráficos imperceptíveis ao olho humano, como espaçamento entre letras, textura do papel e metadados da imagem — que, em alguns casos, revelam a origem digital do documento.

“Não existe uma única técnica capaz de detectar esses recibos. É um processo em camadas, um verdadeiro jogo de gato e rato”, afirmou Kale.

Além da análise visual, as plataformas de auditoria cruzam dados de comportamento dos funcionários, como horários de envio e histórico de gastos, para identificar incoerências.

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O desafio das empresas

Segundo Mason Wilder, diretor da Association of Certified Fraud Examiners, a IA está tornando as fraudes mais sofisticadas e difíceis de rastrear. Isso porque, quando o usuário faz uma captura de tela ou fotografia de um recibo gerado por IA, as marcas digitais que poderiam denunciá-lo desaparecem.

As companhias agora investem em métodos multilayer de auditoria, combinando machine learning, análise comportamental e comparação com bancos de dados de fornecedores. O objetivo é detectar fraudes antes que prejudiquem o fluxo financeiro e a reputação da empresa.

A conclusão dos especialistas é clara: a mesma tecnologia que facilita o golpe é também a principal ferramenta para combatê-lo.

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