O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, nesta quarta-feira (22), o acórdão do julgamento do núcleo 1 da trama golpista, grupo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados condenados em 11 de setembro. A decisão formaliza os votos dos ministros da Primeira Turma e abre prazo de cinco dias para apresentação de recursos.
Com 1.991 páginas, o documento consolida o entendimento que levou à condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, pelo crime de tentativa de golpe de Estado, entre outros. A partir da publicação, as defesas podem apresentar embargos de declaração, recurso limitado a apontar possíveis contradições, omissões ou erros materiais — sem alterar o mérito da decisão, mas com potencial de atrasar o cumprimento das penas.
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Quem são os condenados
Além de Bolsonaro, o núcleo central da trama inclui:
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, acusado de disseminar informações falsas sobre fraude eleitoral;
- Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, que teria colocado tropas à disposição da conspiração;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, em cuja casa foi apreendida uma minuta de decreto para anular as eleições;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, que participou de transmissões ao vivo questionando a lisura das urnas;
- Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, que teria apresentado a comandantes militares o decreto redigido por Bolsonaro;
- Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice, acusado de financiar acampamentos golpistas e planejar atentado contra o ministro Alexandre de Moraes.
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As penas e o placar
As punições variam de 2 a 27 anos de prisão. O delator Mauro Cid recebeu a pena mais branda, de dois anos, enquanto Braga Netto foi condenado a 26 anos.
O julgamento terminou com placar de 4 a 1 pela condenação — os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram a favor, enquanto Luiz Fux defendeu a absolvição da maior parte dos réus, incluindo Bolsonaro.
Bolsonaro segue em prisão domiciliar
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília, medida determinada em outro processo, que apura tentativa de obstrução da Justiça e coação de autoridades por parte do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho. Essa investigação é distinta da ação penal sobre a tentativa de golpe.
Na véspera da publicação do acórdão, o STF também condenou os sete integrantes do núcleo 4, ligado à disseminação de desinformação sobre as urnas eletrônicas, com penas que chegam a 17 anos de prisão.
Com o acórdão agora publicado, o processo de Bolsonaro e dos generais condenados entra na fase de recursos finais, antes da execução definitiva das penas.
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