O Brasil registrou em 2024 o maior índice de sífilis da série histórica, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde. Foram 120 casos de sífilis adquirida a cada 100 mil habitantes, um crescimento que reforça o alerta de especialistas sobre falhas na prevenção e desinformação da população.
Desde 2010, o país contabiliza mais de 1,5 milhão de infecções. O estado do Espírito Santo apresentou o maior índice — 212 diagnósticos por 100 mil habitantes. Apesar da leve queda nos registros de sífilis congênita e entre gestantes, o ritmo de redução segue muito abaixo do esperado. Em 2024, foram 256 mil casos de sífilis adquirida, 89 mil em gestantes e 24 mil congênitas, com 183 mortes associadas à doença.
Para a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Pâmela Cristina Gaspar, o principal desafio é o diagnóstico precoce.
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“O desafio é garantir o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno, especialmente entre gestantes durante o pré-natal. Os dados mostram que estamos avançando e que o trabalho conjunto está salvando vidas”, afirmou.
A sífilis é uma infecção bacteriana causada pela Treponema pallidum. Transmitida principalmente por contato sexual sem proteção, também pode passar da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto. Se não tratada, pode causar complicações neurológicas, cardiovasculares e congênitas graves.
O diagnóstico é simples e disponível na rede pública: testes rápidos do SUS detectam anticorpos no sangue e permitem iniciar o tratamento imediato. Os primeiros sinais — como feridas indolores ou manchas avermelhadas nas mãos e pés — costumam desaparecer sozinhos, mas isso não significa cura. Sem o tratamento correto, a bactéria segue ativa no organismo.
O tratamento é feito com penicilina benzatina, antibiótico de baixo custo e alta eficácia. A cura é possível em todos os estágios, desde que o paciente siga o protocolo médico. No entanto, a reinfecção pode ocorrer, tornando o uso de preservativos e a testagem regular essenciais para o controle da doença.
O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, reforça a importância da informação:
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“A informação e o diagnóstico acessível são as ferramentas mais poderosas para enfrentar a sífilis. É hora de falar abertamente sobre a doença, combater o estigma e garantir que cada pessoa tenha acesso ao conhecimento e ao cuidado que merece.”
O especialista alerta ainda que o medo do julgamento social e a falta de acesso a exames em regiões periféricas e rurais contribuem para a subnotificação e o aumento da transmissão vertical — quando o bebê é infectado pela mãe.
Com o avanço dos casos, o Ministério da Saúde reforça as ações de testagem em massa, campanhas de conscientização e capacitação de profissionais de saúde, para conter a disseminação de uma doença antiga, mas ainda desafiadora no século XXI.
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