A Polícia Federal investiga se o crime organizado está por trás da crise do metanol que já deixou dezenas de pessoas intoxicadas em diversos estados do país. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (8) pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, durante coletiva no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Rodrigues explicou que a apuração pode estar ligada a uma megaoperação anterior da PF, que desarticulou um esquema bilionário de sonegação, lavagem de dinheiro e contrabando de combustíveis, com participação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Parte das investigações se concentra na movimentação irregular de metanol importado pelo Porto de Paranaguá (PR).
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“Existe, sim, a possibilidade de conexão com a operação anterior que realizamos no porto de Paranaguá. Estamos conduzindo a investigação com muita parcimônia para verificar se há ou não envolvimento do crime organizado”, afirmou Rodrigues. Ele ponderou, contudo, que ainda é “prematuro afirmar a participação de organizações criminosas nesse contexto”.
De acordo com as apurações da PF, o metanol importado para uso industrial e automotivo era desviado e transportado clandestinamente, fora dos destinatários indicados nas notas fiscais. O produto pode ter sido utilizado na fabricação ilegal de bebidas alcoólicas, levando à atual onda de intoxicações.
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Dados do Ministério da Saúde indicam que o país já soma 225 ocorrências de suspeita de envenenamento por metanol, sendo 16 casos confirmados e 209 em investigação. A substância, altamente tóxica, pode causar cegueira e morte quando ingerida.
As autoridades federais seguem cruzando informações entre as operações anteriores e os novos focos de contaminação para determinar se há uma rede criminosa atuando na adulteração das bebidas.
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