
Os mercados financeiros brasileiros encerraram a sexta-feira (5/9) em forte alta, impulsionados pelo otimismo dos investidores diante de dados fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), subiu 1,17% e fechou a 142.634 pontos, novo recorde histórico. Durante o pregão, o índice chegou a atingir 143.402 pontos, superando marcas anteriores registradas em agosto.
O dólar também reagiu ao cenário externo e caiu 0,63%, sendo cotado a R$ 5,41. A principal razão para o bom humor dos mercados foi a divulgação do “payroll” — relatório de empregos não-agrícolas dos EUA — que mostrou a criação de apenas 22 mil vagas em agosto, número bem abaixo das expectativas (76 mil) e do mês anterior (79 mil). A fraqueza dos dados reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, reduza os juros na próxima reunião do Fomc, marcada para 17 de setembro.
Com base nas projeções atuais, o mercado estima 90% de chance de corte de 0,25 ponto percentual na taxa americana, hoje entre 4,25% e 4,50%, e 10% de chance de um corte mais agressivo de 0,50 ponto. A perspectiva é de que haja até três cortes ao longo de 2025, totalizando uma redução de 0,75 ponto percentual.
A possível queda dos juros nos EUA tende a beneficiar países emergentes como o Brasil, ao tornar mais atrativos os ativos locais e valorizar o real frente ao dólar. Além disso, o menor rendimento dos títulos americanos (Treasuries) pode estimular o fluxo de capital para mercados de maior risco, como as bolsas de valores.
Globalmente, o dólar perdeu força: o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a seis divisas fortes, caiu 0,52%. No entanto, o impacto nos EUA foi distinto. Segundo Bruno Shahini, da Nomad, os mercados americanos reagiram com cautela, temendo uma desaceleração mais profunda da economia.
No Brasil, os juros futuros de curto prazo recuaram, acompanhando os rendimentos americanos, mas os de longo prazo permaneceram estáveis. Christian Iarussi, da The Hill Capital, destaca que o Banco Central brasileiro mantém postura conservadora e só deve cortar a Selic (atualmente em 15% ao ano) diante de sinais mais claros de desaceleração econômica e controle da inflação.



