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quarta-feira, setembro 16, 2026

O próximo emprego da IA: recrutar pessoas para treinar máquinas

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Fundada em 2023 por três jovens da Bay Area, a startup Mercor rapidamente se tornou uma das apostas mais comentadas do Vale do Silício. A empresa nasceu com a proposta de modernizar o recrutamento por meio de inteligência artificial, mas encontrou um mercado ainda mais lucrativo: fornecer especialistas para treinar modelos avançados de IA.

O ponto de virada veio após a Meta anunciar a compra de quase metade da Scale AI por US$ 14 bilhões. A operação levantou questionamentos sobre a neutralidade da Scale, até então líder em rotulagem de dados. Foi nesse espaço que a Mercor viu oportunidade para crescer. “Fiquei surpreso no começo, mas logo virou entusiasmo com o futuro”, contou o CEO Brendan Foody à Forbes.

Hoje avaliada em US$ 2 bilhões, a startup já conta com apoio de fundos como Benchmark e General Catalyst, além de nomes como Jack Dorsey e Larry Summers. Em 2025, estreou na lista Cloud 100 da Forbes, ocupando a 89ª posição. Entre os clientes, estão laboratórios de ponta, incluindo a própria OpenAI.

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O diferencial da Mercor é recrutar especialistas de alta qualificação, como PhDs, advogados e até grandes mestres de xadrez, que recebem entre US$ 90 e US$ 150 por hora para ensinar modelos a lidar com tarefas complexas. “A qualidade dos dados é mais importante que a quantidade”, destacou Victor Lazarte, ex-conselheiro da empresa.

A companhia afirma ter alcançado receita anual projetada de US$ 100 milhões e lucro de US$ 6 milhões no primeiro semestre deste ano, com crescimento mensal de 60%. Para sustentar a expansão, contratou o ex-executivo da Uber, Sundeep Jain, como presidente, e prepara a mudança para o antigo escritório do Instagram, em São Francisco.

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Apesar da ascensão, o setor é competitivo, com rivais bilionários como Surge, Turing AI e Invisible disputando contratos. Ainda assim, a aposta da Mercor é que sempre haverá demanda por inteligência humana para treinar máquinas — e, nesse espaço, pretende se consolidar como referência global.

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