A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28/8) contra um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis revelou que a Copape, empresa já associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), pode ter montado um esquema de arapongagem para espionar executivos da Raízen, gigante do setor ligada ao bilionário Rubens Ometto.
Mensagens apreendidas em celulares de sócios da Copape mostraram conversas sobre monitoramento ilegal de Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen, e de Antonio Ferreira Martins, vice-presidente jurídico da companhia. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a operação teria envolvido campanas feitas por policiais, grampos telefônicos via sistema guardião e até a ideia de atacar a esposa de Mussa, juíza em Carapicuíba, com uma denúncia anônima.
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O detetive particular Renato de Almeida, contratado por R$ 25 mil para executar o plano, também mencionou ter contatos dentro do Ministério Público. Documentos mostram que ele sugeriu aos empresários a criação de um dossiê para atingir a magistrada, insinuando suposta influência indevida em processos da empresa.
As investigações também apontam que Mohamad Hussein Mourad, apontado como dono de fato da Copape ao lado de Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, mantinha em seu tablet quase 70 contatos de policiais civis, militares, federais e de fiscais da ANP. Há indícios de que o grupo recebia informações privilegiadas sobre operações policiais e do próprio Ministério Público.
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A suspeita de vazamento voltou a ser levantada nesta quinta-feira, já que apenas seis dos 14 mandados de prisão foram cumpridos — entre os que escaparam estão Mourad e “Beto Louco”. Situação semelhante ocorreu na Operação Cassiopeia, em 2023, quando os alvos conseguiram fugir antes da chegada da polícia.
A Copape já teve a licença cassada pela ANP, perdeu tentativas de recuperação judicial e está no centro de acusações que envolvem R$ 7,6 bilhões em sonegação fiscal e lavagem de dinheiro por meio de fundos da Faria Lima. O histórico do grupo inclui condenações por fraudes em postos de combustíveis e embates com o Instituto Combustível Legal (ICL), que há anos denuncia ligações da empresa com o PCC.
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