Para muitos, a presença de uma barata é denunciada antes mesmo de ela ser vista: o cheiro forte e desagradável. No entanto, há quem passe pelo mesmo ambiente sem notar absolutamente nada. A ciência explica essa diferença, e ela vai muito além da simples sensibilidade individual.
O odor característico é resultado da liberação de uma molécula chamada trimetilamina, usada pelas baratas na comunicação entre si. Essa substância também está presente em peixes e é frequentemente associada a cheiro de mofo, podre ou alimento em decomposição. Mas nem todos conseguem captar o sinal químico.
O papel da genética e dos hormônios
A percepção do cheiro depende da presença de receptores específicos no nariz. Algumas pessoas possuem variações genéticas que tornam impossível detectar a trimetilamina. Já em outros casos, a capacidade está ativa e pode ser modulada por hormônios: mulheres costumam ter olfato mais sensível, especialmente no período fértil. A idade também influencia — crianças e jovens percebem odores com mais facilidade do que idosos, devido à perda progressiva de receptores olfativos.
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Como o odor chega ao cérebro
As partículas liberadas pelo inseto entram pelas vias nasais e alcançam o epitélio olfativo, no alto da cavidade nasal. Ali, os receptores enviam sinais elétricos que percorrem o nervo olfatório até o bulbo olfativo, localizado na base do cérebro. De lá, a informação segue para áreas responsáveis por interpretar os cheiros e associá-los a memórias e emoções. É por isso que um simples odor pode despertar repulsa, lembranças antigas ou até sensação de perigo.
Obstáculos físicos que atrapalham a detecção
Nem sempre a ausência de percepção está ligada à genética. Desvios de septo, pólipos, inflamações ou doenças como rinite e sinusite podem bloquear a passagem de ar e impedir que as moléculas alcancem os receptores. Mesmo quem tem olfato normal pode deixar de sentir o cheiro de barata por causa dessas barreiras.
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Quando o nariz se acostuma
Outro fator é a chamada adaptação olfatória. Pessoas expostas constantemente a determinado odor deixam de percebê-lo, já que os receptores reduzem sua resposta com o tempo. Em locais infestados, por exemplo, os moradores podem simplesmente parar de notar o cheiro, embora ele continue presente.
Em resumo, perceber ou não o odor da barata não é questão de imaginação, mas de biologia. Genética, hormônios, idade e até problemas físicos no nariz determinam quem consegue identificar o cheiro — e quem permanece alheio a ele.
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