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quarta-feira, setembro 16, 2026

Estudo revela que viver tragédias climáticas não aumenta apoio a ações ambientais

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Viver tragédias causadas por desastres ambientais, como enchentes, secas e incêndios florestais, não é suficiente para conscientizar a população sobre a urgência das mudanças climáticas. É o que aponta uma nova pesquisa publicada na revista Nature Climate Change, conduzida por cientistas da ETH Zurich, na Suíça.

O levantamento global mostrou que a simples exposição a eventos extremos não leva, necessariamente, ao apoio a políticas ambientais mais rígidas. Por outro lado, quando esses desastres são explicitamente associados às mudanças climáticas, o impacto sobre a opinião pública é muito mais significativo.

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O que a pesquisa avaliou

O estudo cruzou dois grandes conjuntos de dados:

  • A pesquisa Trust in Science and Science-related Populism (TISP), com mais de 70 mil entrevistas em 68 países sobre crenças e apoio a medidas ambientais;

  • Informações históricas e modeladas sobre a proporção da população afetada anualmente por desastres como ondas de calor, inundações e ciclones.

Com base nisso, os pesquisadores analisaram se o contato direto com tragédias climáticas gera mais apoio à tributação do carbono, à energia renovável, ao uso de transporte público e à proteção de florestas. A resposta: na maioria dos casos, não.

Exceção parcial: incêndios florestais

Entre os desastres analisados, apenas os incêndios florestais mostraram uma correlação inicial com maior apoio às políticas climáticas. Porém, ao considerar fatores como o tamanho do território e as crenças já existentes sobre o clima, essa associação desapareceu.

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A chave está na conexão

O fator determinante, segundo os cientistas, foi a percepção da população sobre a relação entre eventos extremos e as mudanças climáticas. Em países onde mais pessoas acreditam que os desastres estão ligados ao aquecimento global, o apoio a políticas climáticas é significativamente maior.

Na média global, essa crença teve pontuação de 3,8 em uma escala de 5. Os níveis mais altos foram registrados na América Latina; os mais baixos, em países da África Central e do Norte da Europa.

Informação importa mais que vivência

Os autores do estudo concluem que viver uma tragédia climática, por si só, não é suficiente para gerar mobilização coletiva. “O que realmente faz diferença é as pessoas entenderem que esses eventos estão conectados à crise climática”, explica Viktoria Cologna, principal autora da pesquisa.

Essa constatação aponta para uma falha na forma como a mídia e os governos comunicam desastres ambientais. Em países como a Austrália, apenas 1% da cobertura noticiosa trata diretamente das mudanças climáticas, e muitos noticiários omitem essa conexão mesmo em episódios de forte impacto.

Embora o apoio público às políticas ambientais seja relativamente alto em diversas regiões do mundo, torná-lo mais robusto requer reforçar a ligação entre os efeitos já sentidos e a causa global que os intensifica. Ou seja: a experiência não basta — é preciso informação e contextualização.

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